Foi em agosto do ano passado que elas chegaram no laboratório pra mim, pro Nicomala e pro Malejandro treinarmos gavagem. Elas são da linhagem Balb, que tem como característica serem mto dóceis e nada ariscas...não mordem e nem correm tanto como os Black e por isso elas foram escolhidas pra eles e pra mim também aprendermos como segurar um camundongo e como aplicar a cânulo pra administrar algum medicamento/tratamento. No fim, quando a gente aprendeu e pegou mais experiência pra usar os Black, elas seriam sacrificadas pois não poderiam voltar pro biotério. Eram 6. E no fim das contas duas ficaram com a Marcela (a Zoe e a Cherry), duas ficaram comigo (a Valentina e a Antônia) e as outras duas acabaram sendo sacrificadas.
Desde que elas vieram pra casa eu sempre brincava com elas. Comprei uma casinha que pra elas era quase uma mansão, com bolinha para correr, gangorra e escorregador e sempre deixei um paninho dentro pra elas ficarem de baixo pra nao passar frio e pra se esconder da luz q elas não gostam muito. A bolinha delas correrem tem até um contador de giros, elas rodam tanto que em 3 dias elas zeram o contador e hoje ele nem tem mais bateria e eu até desisti de trocar. A bolinha da casinha sai e tem uma tampa, assim a gente coloca elas dentro da bolinha e solta pela casa as vezes, pra elas brincarem sem parar. Tudo bem q elas sao tao pequeninas que quase nao conseguem sair do lugar com a bolinha no chão, mas da pra aproveitar um pouco.
Semana passada eu vi que a Antoninha tava magrinha e apática e quando foi no sábado ela tava tão malzinha que eu fui atrás de um veterinário pra dar uma olhada nela. Foi trampo de achar e no fim achei um aqui perto de casa que é especializado em animais silvestres e exóticos e que não era tão caro quanto os outros...ele pesou ela e deu soro com polivitamínico e comprei uma ração fortificada. Ela tava bem magrinha, 10g a menos do que a Valentina e dava até pra sentir os ossinhos dela qdo eu pegava ela na mão.
Ela veio melhorando de sábado pra cá e hoje de manhã foi o retorno dela no veterinário. Ele aplicou soro nela de novo, fui pra academia de lá e levei elas comigo, olhando ela de minuto em minuto, praticamente. A Valentina não saía do lado dela e parecia q passava o focinho nas costinhas dela, como se estivesse cuidando...
Assim q eu cheguei em casa reparei q ela tentava subir no escorregador e não conseguia de jeito nenhum, peguei ela na mão e ajudei ela a subir...ela foi ficando tão fraquinha que deitou e não levantava mais, em questão de uns 3 minutos ela não se mexia e eu fui correndo pro veterinário. No meio do caminho eu percebi q o coraçãozinho dela tinha parado...e qdo eu cheguei na clínica o veterinário estava em horário de almoço. Eu não sabia o que fazer, só fui voltando pra casa sabendo que, na verdade, não tinha o que fazer. Fui direto pra área verde. Sentei num cantinho perto de uma árvore, fiz um buraquinho na terra, tirei ela da gaiolinha e qdo eu olhei pra ela deu um apertinho no coração. Pus ela no buraquinho e cobri com terra. Eu sei q o melhor era levar no Pet Memorial...mas não tinha como eu levar e sinceramente, não sei nem da onde eu tirei força e coragem pra tirar ela da gaiola daquele jeito...
Ela morreu muito rápido e sem nem explicação. Pode ser que pareça besta e tudo o mais, pq camundongo não interage igual cachorro...mas não dá pra explicar. Semana passada eu abri sei lá qts camundongos Black pra tirar órgão pro projeto da Marcela..é claro que eu fiquei com dó, mas não chegou nem perto de como eu me senti com a Antônia. Só de olhar pra ela caidinha já me fez ficar mal. E pra esse tipo de coisa a única frase que me vem na cabeça é "o que não tem remédio, remediado está".
Só quero lembrar dela bonitinha...