Viajantes

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O legado

"A pergunta é: qual será a cor do céu nesse momento em que eu chegar para buscar você? Que dirá o céu?", eu li há muito tempo atrás e achei interessante, mas nunca tinha fixado essa idéia na minha cabeça de uma forma que eu não conseguisse tirar. Era a morte que escrevia, romantizando o suspiro final.

Eu nunca perdi ninguém muito próximo. Essa idéia me assusta, pq sei que o inevitável chega e se demora...bem, se demora a gente tem menos tempo ainda de amaciar o peito pra uma grande perda.

Há um ano atrás eu sabia que eu iria me mudar pra Chicago por um tempo e que nesse tempo eu queria muito fazer um curso de fotografia. Se vc jogar no google "Chicago photo classes", o que eu fiz na época, vai aparecer logo de cara uma escola chamada "Richard Stromberg Chicago Photography Classes on Ravenswood". Entrei no site e analisei os preços, algo meio salgado quando convertido em reais, mas como eu iria receber em dólares pelo meu trabalho, eram um valor bem aceitável. 

A correria da viagem veio, a correria da mudança e de procurar apartamento também. Alguns amigos foram me visitar e eu quase não tive tempo de pensar nas minhas aulas de fotografia. Aliás, pelas minhas contas, se eu tivesse dinheiro para pagar o curso, não teria para comprar a câmera pro curso. Aí o negócio complicou. Mas eu não desisti. Decidi num domingo que iria pro workshop da escola para conhecer o lugar e como o módulo básico duraria 2 meses, eu ainda teria tempo até retornar pro Brasil. Mandei um email para a escola pra me registrar e me surpreendi quando cheguei na escola. Não era nem de perto o que eu esperava. Eu me lembro que entrei e havia apenas uma mulher numa sala cheia de cadeiras, uma foto em preto e branco, formada por 9 pôsteres. A frente das cadeiras, uma mesa bagunçada, sabe (muito bagunçada), uma tv gigante logo atrás, um mac de tela gigante, um armário cheio de máquinas fotográficas antigas, uma máquina de pipoca. A mulher que estava na sala me recebeu e conversamos um pouco sobre o curso, ela logo me entregou uns papéis dos prós de fazer o curso ali e falou tb sobre Richard, o professor e fundador da escola, que não viria aquele dia, pois não se sentia muito bem. Eu resolvi então não enrolar demais e já fui saindo com a papelada, um caderno, um cartão de visitas e uma caneta personalizada, até quase trombar com um senhor bem grande, ele parecia ser bem alto, numa cadeira motorizada. Ele vinha rapidinho na cadeira dele, com um óculos de lentes amarelas, uma barba quase toda branca e um bonézinho verde bordado "Chicago Photography Classes". Ele me parou e perguntou quem eu era, o que fazia ali, se já tinha a minha câmera. Iniciamos essa conversa, ele me pareceu meio seco e várias vezes não entendia o que eu dizia, por conta do meu sotaque. Eu fui embora pra casa e achei aquele senhor bem esquisito, pra falar a verdade, mas algo me dizia que era ali que eu queria estudar fotografia. Eu nem fui atrás de outras escolas, foi o único lugar que procurei.

Passaram-se 3 dias e eu recebi um email de uma senhora chamada Heidi, ela dizia que se eu quisesse iniciar o Photo I, as aulas começariam na semana seguinte. Eu ainda não tinha a câmera e ainda estava naquela de "se tenho o dinheiro do curso, não consigo comprar a câmera". Por sorte, a irmã do Rodolfo tinha comprado uma câmera e a bendita tinha vindo errado, então o Rodolfo voltou pro Brasil e deixou a câmera comigo para que eu pedisse a troca no Amazon e a enviasse pela próxima pessoa que fosse me visitar. Eu olhei bem o equipamento e notei: era exatamente a câmera que o professor havia recomendado para iniciar as aulas. Juntei os pauzinhos e tb notei que a próxima pessoa a me visitar tb demoraria pelo menos uns 2 meses. Eureca! Nutri a missão de pegar essa câmera pra mim e comprar a câmera certa pra irmã do Rodolfo no mês seguinte, que eu já teria quitado o curso. Caiu como uma luva. 4 dias depois fui para a primeira aula, numa terça-feira, empunhando feliz a minha câmera nova que eu não tinha tido nem tempo de mexer.

Eu cheguei cedo e fui a primeira a entrar na sala, lá estava o senhorzinho de boné e óculos amarelos. Eu cumprimentei e me sentei. Ele logo me soltou: "Are you married?" com uma voz grossa e pigarreada, que me era difícil de entender. Eu achei estranho, dei uma risada, acho que corei e me perguntei "pq raios ele ta perguntando isso? será uma piada?" e eu indaguei: "excuse me?". Ele repetiu. E eu ainda não via sentido naquilo. Expliquei que eu não falava muito bem inglês e perguntei se ele estava perguntando se eu era casada. Ele deu uma pigarreada sarcástica e retrucou "I'm asking you if your name is Mary. What's your name?". Eu dei risada, pedi desculpas e me apresentei. Fiquei com uma vergonha absurda. Dali pro resto da aula eu vi que não seria fácil.

Mas ele fez ser fácil. A cada dia na escola, eu aprendia coisas que jamais imaginava aprender. Perdi as contas de quantas vezes Richard nos contou do dia que ele recebeu seu primeiro contra-cheque como fotógrafo, como aprendeu a fotografar, as máquinas que ele usava, da única foto boa a cada 300 tiradas, a cada direção artística com contexto histórico, onde ele parava e me perguntava se eu conhecia essa parte da história americana e ele me ensinava, pra eu entender. Ele me perguntava sobre o Brasil e também me contava de quando ele veio pro Rio de Janeiro. Ele se empolgava com o fato de uma estrangeira na sala, até o dia que pegou na minha mão, me levou na sala ao lado e disse bem baixinho pra mim  "say something in portuguese to these guys". Nós estávamos no fundo de outra sala de aula, os alunos estavam de costas pra gente e o professor também, mexendo em alguma coisa no telão que transmitia a imagem do lightroom conectado num notebook. Eu hesitei e ele insistiu "say it. you're gonna be surprised". Eu concordei e disse em alto e bom som "quem é o brasileiro que tá aqui nessa sala?". Uma moça se virou intrigada e nos cumprimentamos. Olhei pra trás e Richard estava lá, rindo. Quando eu voltei ele reforçou: "She is amazing, you're gonna be best friends". Acho que ele pensou isso pq ela era brasileira também e talvez eu me sentisse um pouco mais em casa. O nome dela era Suélen, se não me engano, e ela estava no Photo II.

Os dias se seguiram e algumas coisas iam me deixando marcada, como quando ele me perguntou que raio de bagunça eu tinha feito nas minhas fotos pra ter uma especificação técnica tão estranha; quando ele propôs a sessão de fotos entre os alunos e discutiu foto por foto. Nesse dia, quando ele pegou a minha foto, ele disse coisas sobre o meu olhar, que ficarão pra sempre guardadas. Ele sempre dizia do que não era permitido tirar fotos para o assignments e pode apostar: eram sempre das coisas que pensávamos em fotografar, como bebês e pets. Ele usava do sarcasmo praticamente todo o tempo e fazia graça sem sorrir e sem rir das próprias piadas. Até então, eu só o tinha visto sorrir no caso da outra brasileira. Nesse momento, ele se tornara pra mim uma figura intocável, um símbolo que eu admirava, distante, apesar de perto. Quase morri de orgulho quando ele pegou umas fotos que eu tinha feito de esculturas e lançou trepudiando: "you failed", quando eu disse que não tinha tido tempo de tirar fotos de 3 esculturas e só de 2, e ele lançou logo em seguida: "I really like your composition", e empunhou virado para a sala uma foto que eu havia tirado da escultura de uma mulher com um bebê, que ficava dentro da UIC. Ele havia entendido o que muitas pessoas haviam me falado como "sem estética", sem enquadramento. Ele me entendeu e aquilo me bastou pra ir pra casa saltitando.






Dois meses se passaram e na nossa última aula nos reunimos em círculo, onde ele pegava as fotos de cada um, mostrava e nos fazia dizer uma única palavra que definisse aquele shot. Ele ouvia a todos e no fim, dava a sua própria definição para a foto, dizia o que achava que a pessoa sentiu quando tirou a foto, o que ela queria expressar e nas fotos de pessoas, ele falava sobre a pessoa fotografada também. Ele também falou sobre a manipulação do fotógrafo e do modelo. Ao terminar a aula, ele nos perguntou quem iria fazer o Photo II, um por um. Eu disse que não iria fazer, pois já chegava a hora de eu voltar pro Brasil. Ainda faltavam dois meses, mas 2 meses era o tempo que o curso durava e talvez eu perdesse algumas aulas. Mas não era verdade. Eu tinha amado aquelas aulas, eu queria continuar. Mas eu não tinha grana. Eu não tinha mais 450 dólares. Eu tinha uns 200, mas já estavam reservados pras minhas passagens de ônibus no mochilão que iria fazer pro Canadá. 

Depois de perguntar quem ia fazer o Photo II, ele respirou fundo, olhou pra nós e disse que nós não teríamos mais muito tempo. Ele disse que a chance de fazer o Photo II era aquela e logo em seguida lançou a noticia de que ele tinha sido diagnosticado com câncer pancreático. Ele disse um punhado de coisas sobre a vida, sobre aprendizado, sobre várias coisas e naquela altura já não me fazia muito sentido ouvir aquilo. Eu comecei a chorar e eu olhava pra ele como se estivesse olhando pro além. Meu olhar parou, meu coração parou. Não era justo aceitar que aquele ser estava sendo corroído por dentro, literalmente. Esperei que todos saíssem da sala e me aproximei dele. Eu queria dizer alguma coisa, mas eu não sabia o que e nem como. Eu só conseguia chorar e engolir choro e tentar pensar em algo e ainda em inglês. Foi difícil. Ele pegou minhas duas mãos, me olhou bem no fundo dos olhos e sorriu. Ele estava sorrindo de novo pra mim e, definitivamente, essa não era a melhor das formas pra me fazer parar de chorar. Ele disse calmamente: "I'm fine. I feel fine. Don't you worry about my health, this is just my body. I don't wanna hurt you". Nessa hora eu agradeço profundamente por conseguir dizer que eu não estava triste e que nem estava preocupada com a saúde dele. E eu realmente não estava. Eu só conseguia sentir uma gratidão sem tamanho pelo destino ter me levado até ele. Por termos passado esse tempo juntos, por eu ter aprendido uma das coisas que eu mais amo na vida com ele. Com o dono daquele olhar, daquele sarcasmo que só ele tinha. Daquela alma única e brilhante. Ele se transformou naquele momento, no meu gênio. Eu consegui dizer "obrigada". Naquele mês, metade de junho e metade de julho, o Ikaro estava me visitando lá, e justo nesse dia ele tinha ido comigo pra aula e estava me esperando do lado de fora. Qual foi a surpresa dele de me encontrar saindo da escola com os olhos inchados e a cara vermelha, pq sim, pra mim, não basta chorar, vc tem que mostrar pra todo mundo que chorou. Que agradecida eu fiquei de ter aquele abraço naquele momento. 

Eu me lembro também que comprei dele um filtro uv pras minhas lentes por $10 e eu sempre me esquecia de levar os benditos $10 pra pagar ele. Então eu tinha que voltar lá de qualquer maneira pra entregar os $10 e me despedir. No dia q eu fui, ele não estava lá e deixei o dinheiro com a mesma mulher que me atendeu no dia do workshop. Peguei um papel e escrevi uma cartinha, explicando pra ele pq eu não voltaria pro Photo II e agradeci profundamente por tudo oq ele havia me ensinado.

No dia seguinte pela manhã, recebo um email da Heidi dizendo que Richard tinha recebido minha carta e que eu ligasse pra ele, pois ele queria falar comigo. Liguei pra ele poucos minutos depois e mais surpresa eu fiquei quando ele me disse que "o dinheiro não deveria ser mais importante que o conhecimento" e que eu deveria ir para a primeira aula. "Vá", ele disse, "e me pague quando vc puder. Se vc nunca puder, vc não estará em débito comigo, eu quero vc na minha escola". Ele tb disse como admirava minha forma de fotografar, como me achava inteligente por ter ido para outro país estudar numa língua que não era a minha e me sair tão bem.

Eu fui. E fiz o Photo II com o professor Nick, o professor do Photo II. Richard só ministrava o Photo I. E nesse um mês e meio que se passou até eu voltar pro Brasil, eu não o vi.

Essa foi a nossa forma de dizer adeus. Ele me deu o melhor dos presentes: o que ele podia me ensinar. Ele olhou meu trabalho, ele olhou minha arte, ele valorizou cada detalhe que a minha alma podia expor nas fotos que tirei pros seus assignments. Cada uma.

Ele me viu chorar. Deus, como é bom lembrar que ele me viu chorar, que eu consegui transmitir pra ele a emoção que ele me passou em cada lição de arte e de vida que ele me ensinou. Como é bom saber que eu disse obrigada. Que eu o abracei, que ele pegou nas minhas mãos, que ele me olhou nos olhos e que ele sorriu.

Nessa madrugada eu coloquei no ar meu portfolio online. Nele, tenho uma breve biografia, onde dediquei minhas fotos à ele. Ainda de madrugada, redigi um post no facebook, compartilhando o link do site e agradecendo Richard e Nick pela instrução. Menos de 12h depois, recebo um email do prof Nick dizendo que Richard havia falecido nesta manhã. Nesta manhã.

Ele não viu minhas novas fotos, nem minha dedicatória.
E eu não vi a cor do céu em Chicago essa manhã. Nem de Chicago, nem daqui.

Mas ele viu meus olhos. Foi um bom adeus. Foi uma boa vida, a que compartilhamos juntos.











segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Que tamanho tem meu mundo?

Mais uma vez relendo os posts deste blog e ainda chego na mesma conclusão: tudo muda. Até bermuda. Desde sofrer por amor, das prioridades da vida, do meu olhar perante a sociedade, do meu papel aqui nesse plano, nos nossos papéis um na vida do outro, até o tamanho que eu enxergo meu mundo. Cara, como eu mudei. Cara, como as coisas mudaram.

E isso é interessante. A mudança sempre é bem vinda, dá dinamismo ao ambiente. Os novos ares te refrescam as lentes, levam a poeira velha e trazem novos ciscos pra empoeirar os cantos. Essa poeira? Parece tão poética pra mim. Parece até uma casinha antiga, daquelas com móveis de madeira que deixam aquele cheirinho de casa velha, que só de sentir remete a nostalgia da história e energia que elas carregam. Casinha antiga com janelinhas de madeira pintada, tacos de madeira também, vários badulaques na mesinha de centro e muitos porta-retratos no aparador da sala, indicando o bisavô, o bisneto, o tio, o sobrinho, o pai, o filho, a moca grávida, o cachorro e o gato, a criança na bicicleta. Às vezes uma noiva, um noivo, um vaso de flores, tapete colorido, um sino dos ventos, a vitrolinha no canto com um apanhado de discos. A brisa leve na janela aberta virada pra rua, onde os grandes artistas trotam pelos paralelepípedos a recitar poesias em forma de canção, empunhando um violão surrado até alguma viela, onde eles podem esperar pelos outros membros, trovadores, que ali se reúnem para mais um sarau do improviso, do destino, os quais os ventos trouxeram para o beco dos artistas. 










Todos trovadores são bem vindos, cada um com um pouquinho da sua composição. Trovador argentino, paulista, paranaense, mineiro, cearense, que já viveu na França, no Canadá, em Manaus. "O que vc é?" "Eu? Como assim oq eu sou? Eu sou o Rafael", um dos trovadores que puxavam o bando, um rapaz que parece um gnominho e outro de um paletó colorido de roxo, amarelo, verde, vermelho, de chinelos trocados, tocando um didjeridoo sentado na grama de um campo cercado de barracas e uma fogueira mirrada no centro. No meio da noite, é possível ouvir os estalos do fogo, um grilo, uma cigarrinha, ao fundo do som do instrumento maluco que mais parece evocar sons da terra dos duendes e da floresta encantada do que emitir som próprio, conjuntamente com o violão surrado que veio do beco dos artistas, que parece até ter uma corda a menos e o braço empenado. O dedilhar nas cordas não deixa a desejar, emite sua poesia na forma mais pura de seu trovador. Ele toca Zeca Baleiro e sua solidão "maior que a de um paulistano". No gramado, em meio a alguns troncos de árvore, os trovadores se aconchegam, outros observam um pouco mais atrás, todos eles juntos, naquele pedaço de terra que parece ser desligado da via láctea. E deve ser mesmo. No alto se vê um milhão de pontos azuis celeste de diferentes tamanhos numa miscelânia de roxo escuro e azul marinho. Essa deve ser a via láctea vista de fora.







Gente reunida, samba raíz, brasileiro? Todo brasileiro sabe sambar. Escreve isso aí. Nasce com o negocinho na ponta do pé e nem sabe. Ora ruas de paralelepípedo, ora ruas de terra batida com pedregulho, igreja ao fundo, com a parede pintada suja de lodo, suja de terra, suja de tempo, marcada de história, assim como a casinha. O badalar das horas, a cruz no topo, a sombra fresca à sua frente com o raios de sol projetados às suas costas. Raios de sol vermelhos, céu laranja no horizonte, que aos poucos se dilui no liquidificador de roxo e azul. Se olhar lá de baixo, é possível ver as casinhas uma ao lado da outra, emparelhadas, um degrau acima da outra, formando um escadão numa ladeira. Acho que é a escada que leva pro topo do novo mundo. Reza a lenda que quem sobe até o fim, enxerga a Terra de lá. Será que a Terra é bonita vista de fora? Isso é pergunta de imigrante. Os nativos nem precisam saber se a Terra existe.



Mais uma noite e novas vozes se ouvem, "a tempestade que chega é da cor dos teus olhos...", eles vão chegando. Os trovadores não combinam dia, não combinam hora. Seu compromisso é o seu próprio destino. Pergunte a um deles onde o outro está. "Nao sei, muita coisa já aconteceu...". O destino faz os ventos levarem seus passos pros becos que se abrem para recebê-los. Os ventos se encarregam de levá-los na mesma direção.



Quando comecei a escrever essas linhas não sabia onde elas iriam dar. Com a alma de trovadora, o destino levou minhas palavras até lá. Para os terráqueos, esse mundo tem o nome de Ouro Preto e fica num estado chamado Minas Gerais. Pescamos nosso cometa no dia 28 de dezembro de 2013 e depois de quase 12 horas de viagem pelas galáxias escuras e estreitas das estradas de Minas, encontramos o mundo paralelo de Joaquim José da Silva Xavier e seus trovadores inconfidentes. O mundo explorado pelo colonialismo português e seus escravos, o mundo do ouro, da revolução, da luta, da coragem, da arte e da música, onde cravei um pedacinho de mim.