Boas Novas, bem no estilo Diego Freire...
E fazia muito tempo que nao me dava tanta vontade de escrever. Eu sou meio de lua em alguns quesitos, e escrever aqui passou a ser um deles, eu nao sei porque.
Mas hoje em especial me deu uma vontade de escrever por alguns poucos motivos, mas motivos que me fizeram pensar em como a humanidade é brilhante. Por isso eu digo, bem no estilo Diego Freire.
O ser humano é capaz de ser tanta coisa boa, de fazer tanta coisa linda...e apesar de a grande maioria das pessoas nao usar da humanidade eu fico impressionada e confortada em como eu tenho isso perto de mim e em como eu acabo atraindo boas pessoas pra perto. O que me deixa mais feliz é poder enxergar tudo isso e realmente fazer valer a pena pra lacos infinitos. Infinitos sim, daqueles que a gente leva pra sempre...independente de fase, contato e todo o resto de praxe.
Outro dia fui com os meninos da banda do Ikaro numa entrevista que eles foram dar numa rádio. Eu sempre dou uma de fotógrafa e me auto entitulo empresária/fotógrafa/presidente do fa clube. E essa entrevista aconteceu numa casa onde estava rolando um tal de bazar dancante. Eita, bagulhinho legal. Eu nunca tinha visto nada daquele jeito...era uma casa toda enfeitada com lamparinas no seu jardim, tinha uma gaiolinha sem passarinho preso e cheia de luzes de pisca pisca brancas, eles vendiam cerveja, refri e uns lanchinhos e ali no jardim mesmo tinham várias araras, cada uma de um dono, onde eles vendiam suas mercadorias que iam de acessórios como bijus e mochilas até saias e camisas. E todo mundo naquele maior estilo alternativo, todo mundo sossegado tomando uma cervejinha, só sorrisos pra lá e pra cá, todo mundo feliz, uma energia positiva demais. Até que eu cheguei em uma das araras e vi uma saia de couro a coisa mais linda. Perguntei pra dona da arara e ela estava meio longe, curtindo o som e imitando até como se tocasse um baixo. Ela era loira, tinha uns quase 50 anos, estava de vestido longo e usava um chapéu de pelúcia rosa com um girassol bordado bem na frente. Quando ela viu que eu queria algo ela veio falar comigo, disse que a saia custava 20 reais. E eu estava sem dinheiro. Aquela saia era dela, tudo o que estava ali ela tinha pego em casa, ou seja...um brechózinho. Quando eu disse que só tinha cartao de crédito eu queria ter visto a minha cara quando ela me respondeu que nao tinha problema, que eu podia levar a saia e depositar o dinheiro pra ela no dia seguinte. Pasma, eu até disfarcei dando uma de que pra mim era normal confiar assim nos outros.
E o pior é que deveria ser assim. Eu nao devia ficar pasma, ninguem devia. Todo mundo devia poder confiar nos outros. Pq a vida, meu caro...nao é o dinheiro, é a sua atitude. E foi ali que eu percebi o quanto ela era feliz. E percebendo isso que eu pensei de novo: eu preciso disso pra minha vida. É só enxergar ela da forma mais simples que ela possa ser...como diria meu eterno inspirador Leoni: "Quando o sol acena parte em mim/ Diz valer a pena ser assim/ Que no fundo é simples ser feliz/ Difícil é ser tão simples". Mas a vida ensina e a gente aprende, eu sempre tenho a esperanca de estar no caminho certo. Certo esse relativo? Enquanto estiver me fazendo bem...
Aí passou o 2* mês, o 3* e o 4* mês que eu e o Ikaro estamos juntos, eu completei 24 anos e qualifiquei no mestrado.
Daí tudo isso faz muita coisa rodar na cabeca também. É mais um novo amor que comeca, mas sempre diferente...sempre um novo jeito de amar, um novo lugar pra olhar, outras coisas a se esperar e uma outra forma de se pegar na mao. Em 24 anos eu consegui passar por muita coisa que muita gente nao passou, mas também nao passei pela metade do que outras...e nao adianta se sentir passada pra tras em quesito algum, essa história inteira é minha, eu escrevi, com a ajuda de todos aqueles que passaram por mim e deixaram seus pedacinhos, como naquele velho post. E eu estou feliz com a vida que eu tenho, que eu levo, onde estou agora e por todos aqueles que eu atraí pra mim. Qualificar no mestrado só me mostrou a dimensao do tempo e espaco relativo, que diminui ao passar dos anos e a minha vontade louca de chegar em algum canto que eu nem sei qual é. Sao 2 anos de USP praticamente, há 1 ano atrás eu estava morrendo de medo de me frustrar naquela dita daquela prova e nao conseguir chegar aqui. E eu cheguei, fiz tanta coisa...e saber que eu consegui chegar aqui é a melhor coisa que eu recebo em troca, saber que eu fui capaz de chegar onde eu quis.
E depois também veio o meu presente de aniversário. Vc já ganhou algum presente que vc gostou tanto, mas tanto, que nao sabia nem como seria possível atribuir um preco àquilo? um preco do coracao, eu digo. Um preco do significado, como numa escala. Eu nunca tinha ganhado um presente assim. Ano passado, quando o Renato foi fazer o doutorado sanduíche dele nos Estados Unidos, na despedida dele, a Marcela deu um livro pra ele. Um dos melhores livros que já li: Nunca desista dos seus sonhos. Ja escrevi muito sobre ele, se nao aqui, no flog. Quando eu ganhei ele foi numa ocasiao muito especial também, inclusive. Mas o livro que a Marcela deu, nao foi comprado. Ela tinha ganhado esse livro de presente há muito tempo atrás, e depois de ela ler e crescer o tanto que se cresce quando se lê ele, ela deu pra ele, num dos momentos mais cruciais na vida profissional e acadêmica de alguem querido. Eu tentei me colocar no lugar dela...me imaginei dando pra alguem q eu gosto muito um livro que eu gostasse demais. E eu simplesmente percebi o quanto foi bonito esse gesto. Nao é pelo material, é pelo apreco. Um apreco pra gente que é passado adiante. Foi tipo isso o presente que eu ganhei de aniversário.
Faz muito tempo que eu quero aprender a tocar violao. Desde que eu gosto da Avril Lavigne, lá nos meus 15 anos eu ouvia o violao dela nos acusticos e me imaginava tocando e cantando como ela. E daí vieram outras...Alanis, Sandy e por ultimo, minha Clarice Falcao. E eu estava decidida a comecar a fazer as aulas, mesmo. O unico impecilho era a grana, tinha umas contas pra pagar e nao podia gastar...até que o belezinha me aparece com um violao embrulhado num laco amarelo, pra mim, de aniversário. E no cartao, algo que dizia mais ou menos que este presente era pra "me fazer entrar no seu mundo". E foi aquilo ali em cima que eu senti...como se alguem conseguisse me dar a música...pq eu sei que nao foi só o violao. Como pro Renato, que nao foi só o livro.
E daí eu percebi o quanto eu sou sortuda. Nao só por ganhar 2 vezes o par de ingressos pro All Folks Fest de amanha, mas por estar feliz com as escolhas de qual caminho tomar. Tudo dá certo né?! E ter encontrado alguém como ele me faz pensar o quanto a humanidade é capaz de ser bonita. E melhor ainda saber que essa beleza está aqui, me fazendo o melhor bem.