Desde sexta eu tento postar mas nunca dá tempo, de quinta-feira pra cá eu estou indo dormir lá pelas 2h da matina todos os dias e acordando às 7h ou antes, seja por causa das encomendas de páscoa, dos shows/teatro, bar, carro quebrado e tudo o mais. E eu tô podreca. Mas o fato de eu estar podreca nao fez eu me sentir menos viva por esses dias. Pelo contrário. Vi, vivi e senti coisas que eu nunca tinha vivido.
A começar pela despedida de verdade da Na. Nós vínhamos nos despedindo desde 2 semanas atrás. Fomos viajar juntas pra chácara do amigo do Caio, fizemos fondue, fizemos comida mexicana e até que chegou o dia de chegar na casa dela e ajudar ela a sair com aquela mala gigante e ir até o aeroporto. Passamos o dia juntos, jantamos juntos e vimos ela entrar por aquele portão de embarque igual dos filmes, onde tem uma curvinha e que em questão de segundos faz a gente não ver mais aqueles que acabaram de passar pelo funcionário que confere as passagens...Se despedir assim foi a sensação mais diferente que eu ja tive na vida, olhar pra ela, ver ela se despedindo da mãe, da vó, do Caio...abraçar ela e saber que por mais que vc diga "eu te amo" ou "se cuida", "aproveita"....nunca vai ser suficiente pra demonstrar o que a gente tá sentindo por dentro, aquele misto de alegria e de aperto. Alegria enorme pela experiência, pelo sonho realizado, pela atitude, pela mudança, pelo novo....aperto pela distância, por não mais poder receber aquelas msgs nada a ver ao longo do dia que me faziam todo o sentido, dos passeios de final de semana, do telefonema pra contar qqr besteira...enfim. E aquele abraço foi o mais apertado que eu pude dar. To logo aqui emocionada pq eu acabei de ver o vídeo que ela fez pro Caio e pra família, pra entrega junto com a cesta de páscoa que ela me pediu pra fazer e entregar. Ver o vídeo agora foi outra coisa fora de sério. É difícil explicar o quanto algumas escolhas nos fazem perder algo, ou sentir falta de algo. Eu já fiz um texto sobre isso há muito tempo atrás, na época que entrei na faculdade, na época que ficamos lá por 1 ano sem se ver. E isso foi pra mim uma escolha, mas no final das contas a gente nunca perde o que DE FATO é nosso.
Entregar a cesta pro Caio fez eu me sentir muito parte de tudo isso, mto parte de vcs, muito parte de todo esse sentimento, ver ele segurando o choro, dizendo que não ia chorar pq era macho, ver aquele sorrisão de orelha a orelha ao perceber que vc tinha lembrado e se preocupado com tudo isso, jogar conversa fora sobre a faculdade, sobre o chopp do fim de semana, sobre as aventuras do carro quebrando ao voltar do aeroporto. Como vc mesmo estando tão longe continua tão viva aqui com a gente. Tudo é motivo de vc, pra vc, com vc, sobre vc. E essa é a maior presença que eu posso ter.
Mesmo sendo pouco tempo, só 1 semana que a gente se despediu pela última vez, parece que já faz um tempão, sei lá pq. A saudade já ta grande, mas ainda não chega a sufocar, acho que pq mesmo entrando a 1h e poco da manhã no msn eu ainda consigo te achar e jogar conversa fora.
Fora tudo isso teve o teatro no domingo, "A Família Addams", mto bom o musical, por sinal, engraçadíssimo, e com companhia fora de sério. E o show de terça também...Roger Waters com todo o socialismo saindo das entranhas e revolução, aquele palco lindo, aquele muro de telão maravilhoso, pra se guardar lá na alma e buscar cada detalhe pra tentar entender o mínimo dessa formação de sociedade.
E mesmo com tudo isso acontecendo ainda sobra tempo pra chorar ouvindo música no carro, sozinha, ao esperar o que não é espera, ao não saber explicar o porquê de ainda pensar que tudo poderia ter sido diferente, ao se dar conta de que tanto amor desperdiçado é loucura...e se conformar mais uma vez que ninguém é obrigado a amar ninguém, e que mesmo assim, como diria o pequeno príncipe "torna-te eternamente responsável por aquilo que cativas", e mais uma vez eu falo sobre responsabilidade.
E mais uma vez eu paro e me dou conta da curiosidade de saber como vc está, o que está sentindo, o que passa na sua cabeça. E isso eu nunca vou saber. Nunca. E acho que no fim das contas, nem vc mesmo sabe.
E o triste é chorar por algo que diz " Te tenho com a certeza de que pode ir, te amo com a certeza de que irá mudar, pra gente ser feliz vc surgiu e juntos conseguimos ir mais longe, vc dividiu comigo a sua história e me ajudou a construir a minha, hoje mais do que nunca somos dois, a nossa liberdade é o que nos prende. Viva todo o seu mundo, sinta toda a liberdade...e qdo a hora chegar, volta...que o nosso amor está acima das coisas desse mundo....vai dizer que o tempo não parou naquele momento...eu espero por vc o tempo que for, pra ficarmos juntos mais uma vez".
Acho que o que me fez chorar é me conformar em saber que nunca foi isso e nunca será. Acho que eu gostaria que fosse. Que o nosso amor estivesse acima de qualquer coisa nesse mundo...mas não está, e eu nunca te tive e eu sei que nunca irá voltar. E acho que isso é que dói. Passar o tempo acreditando em algo que no fim não existe, não existiu. Dói demais lembrar de tudo isso, achar a caixa com as flores secas, cartas e cartões, guardar o anel na caixa, achar as fotos escondidas na carteira, os cartões de visita, as "moedas da sorte", o bilhete de cinema com coisinhas escritas, os tickets da playland e tudo o mais. Ainda não sei o que fazer com tudo isso...ainda não tive coragem de jogar fora, mas mesmo guardando preferi guardar em lugares que eu não precise olhar pra me lembrar.
E como tudo é certo nessa vida, como nada é por acaso, vc morar do lado da minha casa e eu nunca te encontrar provavelmente não deve ser coincidência. Vai ver o destino quis assim. Ainda está sendo difícil de aceitar. Tem dias que eu nem lembro que vc existe ou que existiu pra mim, tem outros que a única coisa que eu consigo pensar é isso. E assim vou indo...até o dia que tudo o que restará serão apenas lembranças e a marca que vc deixou. Aquela marca que cada um deixa qdo passa pela nossa vida.
Só me corrói às vezes ter que me conformar em como alguém pode levar uma vida assim.