Eu me lembro de como as comemorações de natal eram antes. Uma vez o Gabi comentou comigo q sentia a mesma coisa, que antes as festas eram maiores, mais legais e animadas e hoje em dia andam xoxas, xoxas. Eu não sei se é isso mesmo ou se por sermos menores sentíamos algo diferente em relação à elas. Mas a questão é que as coisas mudaram.
Eu nunca passei o natal sempre no mesmo lugar. Eu me lembro das festas na casa da minha tia Tiana, na casa da minha vó, na casa da tia Lica, na chácara lá em Mococa, na casa da Fátima e até na casa da Tamy. E eram uma melhor que a outra. O natal e o ano novo na casa da Tamy era muito gostoso. Não só pq a casa dela sempre foi grande e com piscina, o que remetia a todo mundo se jogar lá depois de umas tantas da madrugada de roupa e tudo, mas sempre participavam os irmãos do meu pai, apesar de ela ser minha amiga, eles sempre tiveram uma ligação com a família do meu pai. Então, estávamos sempre juntos. E mais gostoso ainda que a festa era ajudar a Nana a montar a árvore de natal, era uma árvore enorme (ela era grande mesmo, e eu ainda era criança, então imagina a proporção), cheia de enfeites e a casa inteira ficava enfeitada. E os preparativos para a festa, todos na cozinha ajudando a fazer os comes, ajudando a Nana a fazer a famosa torta de pêssego com nozes.
E era sempre eu que montava a árvore de natal na minha vó. Tirava da caixa a árvorezinha que já era velhinha, com os mesmos enfeites e o pisca pisca que tocava musiquinha. Eu amava aquela árvore da casa da minha vó. E qdo escurecia eu apagava as luzes da sala e acendia o pisca com a música no volume mais alto e ficava saracuteando sozinha lá.
E os natais na chácara, quando todo mundo ainda era unido, não tinha os desentendimentos que hoje existem. Eram as melhores viagens...Quase 20 pessoas na chácara, churrasco o dia todo, e nessa época nem tinha piscina. Hoje a gente já não se reúne mais.
Eu me lembro do natal do ano passado. Que me remete a coisas que me deixaram triste. O que fez eu sentir que o natal era uma época triste pra mim. Natal tem seus significados que por mais religiosos que sejam, ultrapassam essas barreiras pra mim. É difícil de explicar, aliás eu não consigo explicar.
Mas apesar de tudo esse ano o natal foi bom. E a oração feita à ceia foi a mais bonita que eu já ouvi.
E a maior vontade que eu tenho é de quando eu ter minha própria casa e minha família é resgatar esse espírito que antes existia, de enfeitar a casa, de compartilhar e confraternizar com aqueles que amo, de orar e não só de pensar nas coisas boas pq é natal, mas para refletir. E crescer, evoluir, sempre.
Viajantes
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
sábado, 17 de dezembro de 2011
Rumo à casa dos 50kg
Eu estava me sentindo a mulher mais horrorosa do mundo por ter ganhado uns kilinhos a mais. Isso nesses últimos 2 meses. Mas parando pra pensar desde que eu comecei a namorar com o Gabi eu devo ter ganhado uns 6 kg. Na época que a gente começou a sair eu tinha acabado de parar de tomar Fluoxetina, um remédio que o médico me passou pra minha ansiedade. Eu parei de tomar por livre e espontânea vontade, pq ele me dava muita coceira na perna, que eu vim descobrir esses dias pq ele dificulta a circulação sanguínea periférica. Além do mais ele faz a gente perder qualquer sensação do corpo, fazendo vc se sentir um zumbi. Quase não se sente cócegas, não sente calafrios e arrepios e a libido vai lá em baixo. Nem fome vc sente. Por isso qdo eu comecei a tomar emagreci 6kg em um mês. Mas pq eu não comia nada, não sentia vontade de comer, eu olhava aqueles doces fantásticos e não sentia nada. Horripilante. Mas pelo lado de emagrecer foi bom. Mas eu me lembro que tinha dias que eu passava sem comer nada, chegava em casa e tomava um iogurte. E só. Por isso emagreci tão rápido. E desde que eu parei de tomar, há uns 2 anos e poko, eu venho engordando um pouquinho, foram uns 6 kg, mas provavelmente nesses últimos 2 meses mais uns 2 kg.
Eu sempre fui mto vaidosa, apesar de não reparar na beleza externa das outras pessoas e nem reparar muito se fulano é gordo, se tá bem vestido ou sei lá oq. Aliás, até me irrito com pessoas assim. Mas como eu sempre fui vaidosa comigo mesmo e sempre tive a auto-estima lá em baixo, comecei a me sentir péssima em sentir as calças apertando e meus braços ficarem enormes. Em me sentar e as coxas se espatifarem na cadeira ou no sofá. E decidi entrar na academia e fazer dieta (aleluia!).
Ja faz uma semana que eu estou na labuta, na verdade 6 dias, e eu fiz a minha dieta direitinho, sem perder a linha com os meus doces, e mesmo sendo fim de ano, quando todo mundo ganha chocolate, no lab a Fernanda voltou da Espanha cheia de doces diferentes pra gente e eu segurei minha onda. Fora a academia, que surpreendentemente eu fui todos os dias da semana, fazendo 1h de aeróbica e 1h de musculação. E ainda vou e volto a pé. Eu não sei o quanto emagreci nesses dias e sinceramente nem quero saber. Eu só quero ver no espelho e gostar um pouco mais da minha aparência. E eu já vi resultados, o que me deixou mais animada, e tb triste ao saber que a academia vai ficar fechada na semana do natal =(.
E mesmo agora há pouco, quando fizemos uma espécie de encontro de fim de ano com alguns amigos no Outback, me contive com pequeninas fatias daquela cebola delicissississississima e umas 4 tiras de batata frita daquelas com cheddar e bacon. Ok, eu comi um pedaço da jacket potato, uma batata recheada com requeijão. Mas não comi da costela de porco e me acabei mesmo é na El Ranchito Salad. Pois é. E olha, que estava uma delícia. E saí feliz de lá. Além de que mesmo sendo sábado, mantive a dieta no café da manhã e no almoço.
Vamos ver até onde vai essa disposição pra academia, que eu sempre tive repúdio...rs E até onde minha gula se segura.
O mais gostoso foi ver um shortinho que foi comprado um número menor com a intenção de emagrecer, entrar e ficar uma graça =)
Eu sempre fui mto vaidosa, apesar de não reparar na beleza externa das outras pessoas e nem reparar muito se fulano é gordo, se tá bem vestido ou sei lá oq. Aliás, até me irrito com pessoas assim. Mas como eu sempre fui vaidosa comigo mesmo e sempre tive a auto-estima lá em baixo, comecei a me sentir péssima em sentir as calças apertando e meus braços ficarem enormes. Em me sentar e as coxas se espatifarem na cadeira ou no sofá. E decidi entrar na academia e fazer dieta (aleluia!).
Ja faz uma semana que eu estou na labuta, na verdade 6 dias, e eu fiz a minha dieta direitinho, sem perder a linha com os meus doces, e mesmo sendo fim de ano, quando todo mundo ganha chocolate, no lab a Fernanda voltou da Espanha cheia de doces diferentes pra gente e eu segurei minha onda. Fora a academia, que surpreendentemente eu fui todos os dias da semana, fazendo 1h de aeróbica e 1h de musculação. E ainda vou e volto a pé. Eu não sei o quanto emagreci nesses dias e sinceramente nem quero saber. Eu só quero ver no espelho e gostar um pouco mais da minha aparência. E eu já vi resultados, o que me deixou mais animada, e tb triste ao saber que a academia vai ficar fechada na semana do natal =(.
E mesmo agora há pouco, quando fizemos uma espécie de encontro de fim de ano com alguns amigos no Outback, me contive com pequeninas fatias daquela cebola delicissississississima e umas 4 tiras de batata frita daquelas com cheddar e bacon. Ok, eu comi um pedaço da jacket potato, uma batata recheada com requeijão. Mas não comi da costela de porco e me acabei mesmo é na El Ranchito Salad. Pois é. E olha, que estava uma delícia. E saí feliz de lá. Além de que mesmo sendo sábado, mantive a dieta no café da manhã e no almoço.
Vamos ver até onde vai essa disposição pra academia, que eu sempre tive repúdio...rs E até onde minha gula se segura.
O mais gostoso foi ver um shortinho que foi comprado um número menor com a intenção de emagrecer, entrar e ficar uma graça =)
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
Um tanto de sentimentos misturados*
Hoje eu não fui pra usp, precisei dar uma passada no Mackenzie pra levar uns papéis pra Isabela assinar, pois estou mandando meu tgi pra uma revista científica. Faz tempo que eu estou pra mandar e sempre tinha algo pra mudar, pra ajeitar, até que resolvemos mandar nessa última correção.
O fato de eu ter saído de casa mais tarde, umas 10h00 já deu aquela sensação de nostalgia, da época de faculdade. A época em que eu ia de metrô pro Mackenzie todos os dias, era +- esse horário pq eu estudava a tarde, na mesma plataforma, esperar a mesma linha de troleibus...surgiu aquela sensação de quando eu ainda não ia de van, a sensação de conquista por ter ganhado a bolsa, de ter iniciado a faculdade, de ter terminado o ensino médio e enfim estar fazendo algo grandioso...de estar indo pra um lugar que eu desejava tanto ir, a sensação de dever, de dar o meu melhor, de superar tudo: o cansaço, a fome, a distância, os afazeres...
Depois que peguei o troleibus estava com preguiça de subir aquela ladeira da Santa Cecília pra chegar no Mack, então desci na Paulista, assim eu pegava um ônibus que descia direto e parava na frente do Mackenzie e aproveitava pra passear, ver a decoração de natal...e ah! Andar da Paulista, neh?!
A Paulista é um lugar único em São Paulo, assim como o bairro todo do Jardins. São lugares que me fazem bem...não sei pq.
As calçadas largas da avenida, as lojas nem um pouco convencionais, os cafés, os bancos com aquelas portas enormes, os prédios, o teatro Gazeta, o cenário...e com a decoração de natal tudo fica ainda mais bonito. Eu não me lembro de ter prestado tanta atenção numa decoração de natal da Paulista em outros anos, eu sabia que era bonito mas nunca tinha reparado tanto. Esse ano está linda...e o túnel que vai pra Consolação está fechado em ursos gigantes, balas e pirulitos de natal, renas, papai noel, neve artificial. Tem uma loja até com um trem gigante todo vermelho e prata com umas letras enormes, lembra os filmes. E andar por aquela avenida de óculos escuros faz a gente se sentir num filme, tanta gente diferente, de todo jeito que se possa imaginar, aquela visão pro céu apesar dos prédios, o espaço pra sentir a brisa passar e tanta coisa bonita e diferente pra olhar...
Quando eu trabalhava no restaurante eu descia na Paulista todos os dias e então descia sempre pela Haddock Lobo em direção ao Jardins, e foi aí que eu descobri o quanto eu gosto de andar por ali. As árvores tomam conta das ruas, deixando sempre aquele ar mais friozinho, mesmo nos dias de calor. E à medida que vc vai descendo vai vendo aqueles prédios residenciais com varanda, num estilo meio colonial, sei lá, com lojas cada uma em seu estilo, cada uma em seu charme. Me lembro de uma loja de móveis e objetos de decoração antiquados. O nome era "Secrets de familie", acho que era isso, pouco tempo depois mudou para "Sold". O primeiro nome era mais convidativo, pq a fachada da loja era toda retrô, num ar bem antigo mesmo e trepadeiras nas paredes. Na vitrine tinha um cavalinho de criança, daqueles bem antigos, esculpido naquelas formas francesas de época e pintado com tinta fosca...tinha tb candelabros e uma gaiola de pássaros como aquelas dos filmes de décadas passadas e um lampião. Era como se fosse uma lojinha de cenas de filmes antigos. Eu sempre quis entrar nela, mas sempre me contentei em olhar pela vitrine, talvez pq imaginei os preços exorbitantes, talvez pq eu nunca soube se ela estava aberta ou não.
Dentre as outras lojinhas e restaurantes, um restaurante em particular tb me chamava atenção, até hoje tenho vontade de comer lá: Paris 6. Um bistrô francês, no mesmo estilo das ruas de Paris, ele é meio que aberto e dá pra ver tudo lá dentro, tem como se fossem ruinhas de paralelepípedo pelas passarelas e luminárias como os postes dos bairros de Paris que aparecem nos filmes. Muito acolhedor.
E andando pela Paulista, com aquela sensação de liberdade eu parei numa livraria que me chamou a atenção, primeiro pelos artigos eletrônicos, de cara uma tv gigante de led passando um show do Metallica com sofá e tudo pra assistir. Parei e vi um pouco mas segui em direção aos livros, até que vi "Um dia", e já fiquei com ele na mão. Subi as escadas e me senti a pessoa mais completa do mundo ao ver aquelas estantes enormes com livros enfileirados arrumados por sobrenome do autor. Aquela infinidade de cores e letras, de fontes e figuras...como eu quero uma biblioteca só minha, com os meus títulos preferidos, com alguem pra perguntar, com alguém pra dividir as histórias, as sensações...Não deu outra, já apareceu um funcionário com quem troquei a maior idéia e ficamos os dois viajando nos títulos...saí dali com uns 5 títulos na mão: "Um dia", "Um estranho no ninho", "O velho e o mar", "Presente de Princesa" e mais uns dois que o funcionário me indicou...até eu me deparar com uma estante rosa. Rosa pink. Com várias "bíblias" rosa choque e dourado entituladas "Alice's adventures in Wonderland and other stories". Peguei ele na mão e soltei todos os outros. Era o livro mais lindo que eu já vi. É a história original de Lewis Carrol, com ilustrações originais e tudo o mais.
E eu saí da livraria com "Um dia" e "Alice's adventures in Wonderland and other stories". Com o coração mais feliz do mundo e a maior vontade do mundo de montar a minha biblioteca e sabendo que a grande estrela dela seria esse livro da Alice, até eu achar um parecido da Pequena Sereia...rs
Depois quando peguei o bus segui pro Mack pra encontrar com a Isabela e quando desci e dei de cara com aquela entrada do João Calvino, eu vi o café onde os professores costumavam almoçar, o mapa da faculdade talhado num vidro, o edifício João Calvino, onde acontecem as mostras de tgi e onde tem oo banco real. O bloco da farmácia, onde eu adorava beber água, pois o bebedouro sempre estava com o termostato lá em cima, fazendo a água sair quase congelada. Era por ali que eu saía qdo ia pra Maria Antônia pegar o carro. Eu não quis rodar a faculdade, não estava com vontade, mas só de pisar naquele lugar me vieram sensações de épocas antigas, de quando os desejos eram outros, as expectativas eram outras, e andar por ali é quase o mesmo que andar pela ETE agora. Pessoas diferentes, mas o mesmo lugar, o mesmo edifício e por vezes os mesmos funcionários, deixando suas lembranças imortais. Mas na ETE seria mais forte, pq foram mais e melhores lembranças, apesar de menos tempo.
E depois eu subi no prédio dos laboratórios e esperei a Isabela como eu sempre fazia na época do tgi. Sentada na escada, no mesmo degrau, olhando pro relógio e calculando qto tempo ela demoraria pra chegar. E quando ela chegou conversamos bastante, sobre as novidades, sobre o laboratório na usp, afinal de contas ela ficou no mesmo laboratório por 10 anos.
Depois desci pro metrô e fiz diferente. Não fui sentido Santa Cecília, fui sentido República, como algumas vezes eu fazia na época da faculdade pra quebrar a rotina. E por ali deu pra ver um restaurante chinês onde comemos yakissoba algumas vezes, uma sapataria que tinha o mesmo letreiro: Botas de motoqueiro com solado de pneu de avião, e me perdi tanto naquela sensação boa que passei do metrô eu parei num boteco que nunca tinha visto me perguntando onde eu tinha deixado a estação. O atendente virou pra mim e falou: "Ali na frente, moça" e apontou. A estação estava exatamente do outro lado da rua...mas era a estação Anhangabaú...rs. Andei uma estação a mais. E quando eu fui sair do boteco despencou uma chuva que me fez parar. Esperei dentro dele até o farol de pedestres abrir e lá fui eu correndo pra entrar na estação, debaixo de chuva, com meus tesouros envoltos na sacola de plástico...
Depois eu resolvi passar no ABC Plaza, pq eu queria ir na Khelf, comprar umas roupinhas de fim de ano pra mim. Mas eu estava morrendo de fome, tinha saído de casa as 10h e já eram 15h! Resolvi almoçar no Spaghetti Primo, um risoto primo e rever algumas pessoas de lá. Foi tão gostoso chegar e ver tanta gente contente em me ver. Conversei com algumas pessoas, mas grande parte do quadro de funcionários mudou. Mesmo assim, matei a saudade daqueles que me divertiam enquanto eu estava por lá. Todos me perguntavam o que eu estava fazendo, se estava trabalhando e eu dizia que estava estudando pra fazer mestrado. Algumas delas nem sabiam o que era mestrado e toca eu a explicar. E como pessoas tão simples podem me fazer tão bem? Eu sinto falta delas, eu vejo tanta coisa boa ali, são sorrisos, são sonhos, é ter expectativa, mesmo sendo tão humilde. E é assim que eu redescubro que sonhar é a coisa mais simples do mundo, mas que requer sentimento. E sentimento...esse sim brota sei lá de onde. Da fé, da crença...da sensibilidade de cada um. Eu agradeço todos os dias por enxergar e sentir isso, de desejar ser tão simples mas com sentimentos tão puros quanto. Quando eu pedi meu risoto, pedi pra Janaína caprichar, e ela fez um prato gigante, que eu nem consegui comer, e pedi q embrulhasse pra viagem pq era gostoso demais pra jogar fora..rs
Comi meu risoto e fui pra Khelf atrás do meu vestido. E saí de lá com 2 vestidos lindos e uma sapatilha de bailarina mais fofa ainda...tudo dividido em 6x no cartão e com 6% de desconto com o cartão Khelf, pra variar.
E quando eu voltei pra casa, voltei contente. Contente de saber que eu ainda sou capaz de sentir essas pequenas coisinhas que adoçam tanto o meu dia-a-dia. =)
O fato de eu ter saído de casa mais tarde, umas 10h00 já deu aquela sensação de nostalgia, da época de faculdade. A época em que eu ia de metrô pro Mackenzie todos os dias, era +- esse horário pq eu estudava a tarde, na mesma plataforma, esperar a mesma linha de troleibus...surgiu aquela sensação de quando eu ainda não ia de van, a sensação de conquista por ter ganhado a bolsa, de ter iniciado a faculdade, de ter terminado o ensino médio e enfim estar fazendo algo grandioso...de estar indo pra um lugar que eu desejava tanto ir, a sensação de dever, de dar o meu melhor, de superar tudo: o cansaço, a fome, a distância, os afazeres...
Depois que peguei o troleibus estava com preguiça de subir aquela ladeira da Santa Cecília pra chegar no Mack, então desci na Paulista, assim eu pegava um ônibus que descia direto e parava na frente do Mackenzie e aproveitava pra passear, ver a decoração de natal...e ah! Andar da Paulista, neh?!
A Paulista é um lugar único em São Paulo, assim como o bairro todo do Jardins. São lugares que me fazem bem...não sei pq.
As calçadas largas da avenida, as lojas nem um pouco convencionais, os cafés, os bancos com aquelas portas enormes, os prédios, o teatro Gazeta, o cenário...e com a decoração de natal tudo fica ainda mais bonito. Eu não me lembro de ter prestado tanta atenção numa decoração de natal da Paulista em outros anos, eu sabia que era bonito mas nunca tinha reparado tanto. Esse ano está linda...e o túnel que vai pra Consolação está fechado em ursos gigantes, balas e pirulitos de natal, renas, papai noel, neve artificial. Tem uma loja até com um trem gigante todo vermelho e prata com umas letras enormes, lembra os filmes. E andar por aquela avenida de óculos escuros faz a gente se sentir num filme, tanta gente diferente, de todo jeito que se possa imaginar, aquela visão pro céu apesar dos prédios, o espaço pra sentir a brisa passar e tanta coisa bonita e diferente pra olhar...
Quando eu trabalhava no restaurante eu descia na Paulista todos os dias e então descia sempre pela Haddock Lobo em direção ao Jardins, e foi aí que eu descobri o quanto eu gosto de andar por ali. As árvores tomam conta das ruas, deixando sempre aquele ar mais friozinho, mesmo nos dias de calor. E à medida que vc vai descendo vai vendo aqueles prédios residenciais com varanda, num estilo meio colonial, sei lá, com lojas cada uma em seu estilo, cada uma em seu charme. Me lembro de uma loja de móveis e objetos de decoração antiquados. O nome era "Secrets de familie", acho que era isso, pouco tempo depois mudou para "Sold". O primeiro nome era mais convidativo, pq a fachada da loja era toda retrô, num ar bem antigo mesmo e trepadeiras nas paredes. Na vitrine tinha um cavalinho de criança, daqueles bem antigos, esculpido naquelas formas francesas de época e pintado com tinta fosca...tinha tb candelabros e uma gaiola de pássaros como aquelas dos filmes de décadas passadas e um lampião. Era como se fosse uma lojinha de cenas de filmes antigos. Eu sempre quis entrar nela, mas sempre me contentei em olhar pela vitrine, talvez pq imaginei os preços exorbitantes, talvez pq eu nunca soube se ela estava aberta ou não.
Dentre as outras lojinhas e restaurantes, um restaurante em particular tb me chamava atenção, até hoje tenho vontade de comer lá: Paris 6. Um bistrô francês, no mesmo estilo das ruas de Paris, ele é meio que aberto e dá pra ver tudo lá dentro, tem como se fossem ruinhas de paralelepípedo pelas passarelas e luminárias como os postes dos bairros de Paris que aparecem nos filmes. Muito acolhedor.
E andando pela Paulista, com aquela sensação de liberdade eu parei numa livraria que me chamou a atenção, primeiro pelos artigos eletrônicos, de cara uma tv gigante de led passando um show do Metallica com sofá e tudo pra assistir. Parei e vi um pouco mas segui em direção aos livros, até que vi "Um dia", e já fiquei com ele na mão. Subi as escadas e me senti a pessoa mais completa do mundo ao ver aquelas estantes enormes com livros enfileirados arrumados por sobrenome do autor. Aquela infinidade de cores e letras, de fontes e figuras...como eu quero uma biblioteca só minha, com os meus títulos preferidos, com alguem pra perguntar, com alguém pra dividir as histórias, as sensações...Não deu outra, já apareceu um funcionário com quem troquei a maior idéia e ficamos os dois viajando nos títulos...saí dali com uns 5 títulos na mão: "Um dia", "Um estranho no ninho", "O velho e o mar", "Presente de Princesa" e mais uns dois que o funcionário me indicou...até eu me deparar com uma estante rosa. Rosa pink. Com várias "bíblias" rosa choque e dourado entituladas "Alice's adventures in Wonderland and other stories". Peguei ele na mão e soltei todos os outros. Era o livro mais lindo que eu já vi. É a história original de Lewis Carrol, com ilustrações originais e tudo o mais.
E eu saí da livraria com "Um dia" e "Alice's adventures in Wonderland and other stories". Com o coração mais feliz do mundo e a maior vontade do mundo de montar a minha biblioteca e sabendo que a grande estrela dela seria esse livro da Alice, até eu achar um parecido da Pequena Sereia...rs
Depois quando peguei o bus segui pro Mack pra encontrar com a Isabela e quando desci e dei de cara com aquela entrada do João Calvino, eu vi o café onde os professores costumavam almoçar, o mapa da faculdade talhado num vidro, o edifício João Calvino, onde acontecem as mostras de tgi e onde tem oo banco real. O bloco da farmácia, onde eu adorava beber água, pois o bebedouro sempre estava com o termostato lá em cima, fazendo a água sair quase congelada. Era por ali que eu saía qdo ia pra Maria Antônia pegar o carro. Eu não quis rodar a faculdade, não estava com vontade, mas só de pisar naquele lugar me vieram sensações de épocas antigas, de quando os desejos eram outros, as expectativas eram outras, e andar por ali é quase o mesmo que andar pela ETE agora. Pessoas diferentes, mas o mesmo lugar, o mesmo edifício e por vezes os mesmos funcionários, deixando suas lembranças imortais. Mas na ETE seria mais forte, pq foram mais e melhores lembranças, apesar de menos tempo.
E depois eu subi no prédio dos laboratórios e esperei a Isabela como eu sempre fazia na época do tgi. Sentada na escada, no mesmo degrau, olhando pro relógio e calculando qto tempo ela demoraria pra chegar. E quando ela chegou conversamos bastante, sobre as novidades, sobre o laboratório na usp, afinal de contas ela ficou no mesmo laboratório por 10 anos.
Depois desci pro metrô e fiz diferente. Não fui sentido Santa Cecília, fui sentido República, como algumas vezes eu fazia na época da faculdade pra quebrar a rotina. E por ali deu pra ver um restaurante chinês onde comemos yakissoba algumas vezes, uma sapataria que tinha o mesmo letreiro: Botas de motoqueiro com solado de pneu de avião, e me perdi tanto naquela sensação boa que passei do metrô eu parei num boteco que nunca tinha visto me perguntando onde eu tinha deixado a estação. O atendente virou pra mim e falou: "Ali na frente, moça" e apontou. A estação estava exatamente do outro lado da rua...mas era a estação Anhangabaú...rs. Andei uma estação a mais. E quando eu fui sair do boteco despencou uma chuva que me fez parar. Esperei dentro dele até o farol de pedestres abrir e lá fui eu correndo pra entrar na estação, debaixo de chuva, com meus tesouros envoltos na sacola de plástico...
Depois eu resolvi passar no ABC Plaza, pq eu queria ir na Khelf, comprar umas roupinhas de fim de ano pra mim. Mas eu estava morrendo de fome, tinha saído de casa as 10h e já eram 15h! Resolvi almoçar no Spaghetti Primo, um risoto primo e rever algumas pessoas de lá. Foi tão gostoso chegar e ver tanta gente contente em me ver. Conversei com algumas pessoas, mas grande parte do quadro de funcionários mudou. Mesmo assim, matei a saudade daqueles que me divertiam enquanto eu estava por lá. Todos me perguntavam o que eu estava fazendo, se estava trabalhando e eu dizia que estava estudando pra fazer mestrado. Algumas delas nem sabiam o que era mestrado e toca eu a explicar. E como pessoas tão simples podem me fazer tão bem? Eu sinto falta delas, eu vejo tanta coisa boa ali, são sorrisos, são sonhos, é ter expectativa, mesmo sendo tão humilde. E é assim que eu redescubro que sonhar é a coisa mais simples do mundo, mas que requer sentimento. E sentimento...esse sim brota sei lá de onde. Da fé, da crença...da sensibilidade de cada um. Eu agradeço todos os dias por enxergar e sentir isso, de desejar ser tão simples mas com sentimentos tão puros quanto. Quando eu pedi meu risoto, pedi pra Janaína caprichar, e ela fez um prato gigante, que eu nem consegui comer, e pedi q embrulhasse pra viagem pq era gostoso demais pra jogar fora..rs
Comi meu risoto e fui pra Khelf atrás do meu vestido. E saí de lá com 2 vestidos lindos e uma sapatilha de bailarina mais fofa ainda...tudo dividido em 6x no cartão e com 6% de desconto com o cartão Khelf, pra variar.
E quando eu voltei pra casa, voltei contente. Contente de saber que eu ainda sou capaz de sentir essas pequenas coisinhas que adoçam tanto o meu dia-a-dia. =)
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Beijada por um anjo*
Eu estava no laboratório antes de ontem e a Martina, uma das pós-docs, me perguntou se eu gostava de "O diário de uma paixão".
A Martina é uma figura. Tem uns 30 anos, é pós-doutoranda, já está há 6 anos no laboratório, é gaúcha, loira dos olhos azuis, mas não parece a Barbie. Eu a acho linda, é o tipo de mulher que sai sem lápis nos olhos e nem nada de maquiagem, no máximo um creminho hidratante. Se veste simples mas bonitinha, toda meiga, ela adora rosa e sempre vai de blusinhas rosas e estampas de flores ou lacinhos pendurados. Ela só usa sapatilhas da moleca. Mas não é daquelas feias comuns que a gente vê por aí. E eu só descobri q era moleca pq eu gostei muito de uma delas e perguntei onde ela tinha comprado e ela disse q era moleca. Ela é uma bonequinha e está longe de ser daquelas mulheres frescas. Ela gosta de filmes, livros e shows como eu, e compartilhamos da vontade de ver o Linkin Park um dia.
Ela me ensina muita coisa, principalmente depois que eu descobri que meu projeto é vinculado ao dela. E ela é uma das pessoas que mais admiro no laboratório. Tão nova e tanto conhecimento, tanta experiência já. Ela me ensinou cultura celular, angiogênese e sobre as tzds, ela me ensinou a extrair RNA, quantificar e produzir cDNA, me ensinou os principios do PCR Real Time, que eu achava um bicho de sete cabeças e prometeu me ensinar a desenhar primers. Ontem ela me ensinou a tomar chimarrão. E eu odiava chimarrão. E o dela até que não estava ruim, só não gostei pq se toma sem açúcar.
Ela sempre pergunta pra mim o q eu acho de algumas coisas. Ela diz que gosta de saber a opinião das pessoas sobre as coisas que ela gosta. Ela já até me perguntou sobre a teoria de Matrix. rs. E antes de ontem, quando ela me perguntou o que eu achava de "Diário de uma Paixão", eu disse que só tinha visto o filme e que iria ler o livro em breve, pois a Na vai me emprestar...rs. Daih emendou um tal de falar de livro e eu comentei que queria passar as férias lendo livros, tanto que já tinha 2 pra Na me emprestar e eu já tinha pedido um de amigo secreto, além de que nem terminei de ler Lua Nova ainda e ele está aqui em casa.
E ela fez uma listinha de livros que iria me emprestar. Ontem ela apareceu com 3: "Beijada por um anjo", "A hospedeira" e "A sociedade literária e a torta de casca de batata".
Ela disse pra eu ler "Beijada por um anjo" primeiro, assim se eu gostasse, ela trazia os 2 seguintes da coleção pra eu ler nas férias. E eu comecei a ler ontem quando estava voltando da usp, no metrô.
Engoli o livro. Terminei ontem mesmo perto da meia-noite. E é apaixonante.
Mas falo um post da trilogia completa qdo eu terminar de ler, pq a história acaba pela metade no primeiro livro.
=)
A Martina é uma figura. Tem uns 30 anos, é pós-doutoranda, já está há 6 anos no laboratório, é gaúcha, loira dos olhos azuis, mas não parece a Barbie. Eu a acho linda, é o tipo de mulher que sai sem lápis nos olhos e nem nada de maquiagem, no máximo um creminho hidratante. Se veste simples mas bonitinha, toda meiga, ela adora rosa e sempre vai de blusinhas rosas e estampas de flores ou lacinhos pendurados. Ela só usa sapatilhas da moleca. Mas não é daquelas feias comuns que a gente vê por aí. E eu só descobri q era moleca pq eu gostei muito de uma delas e perguntei onde ela tinha comprado e ela disse q era moleca. Ela é uma bonequinha e está longe de ser daquelas mulheres frescas. Ela gosta de filmes, livros e shows como eu, e compartilhamos da vontade de ver o Linkin Park um dia.
Ela me ensina muita coisa, principalmente depois que eu descobri que meu projeto é vinculado ao dela. E ela é uma das pessoas que mais admiro no laboratório. Tão nova e tanto conhecimento, tanta experiência já. Ela me ensinou cultura celular, angiogênese e sobre as tzds, ela me ensinou a extrair RNA, quantificar e produzir cDNA, me ensinou os principios do PCR Real Time, que eu achava um bicho de sete cabeças e prometeu me ensinar a desenhar primers. Ontem ela me ensinou a tomar chimarrão. E eu odiava chimarrão. E o dela até que não estava ruim, só não gostei pq se toma sem açúcar.
Ela sempre pergunta pra mim o q eu acho de algumas coisas. Ela diz que gosta de saber a opinião das pessoas sobre as coisas que ela gosta. Ela já até me perguntou sobre a teoria de Matrix. rs. E antes de ontem, quando ela me perguntou o que eu achava de "Diário de uma Paixão", eu disse que só tinha visto o filme e que iria ler o livro em breve, pois a Na vai me emprestar...rs. Daih emendou um tal de falar de livro e eu comentei que queria passar as férias lendo livros, tanto que já tinha 2 pra Na me emprestar e eu já tinha pedido um de amigo secreto, além de que nem terminei de ler Lua Nova ainda e ele está aqui em casa.
E ela fez uma listinha de livros que iria me emprestar. Ontem ela apareceu com 3: "Beijada por um anjo", "A hospedeira" e "A sociedade literária e a torta de casca de batata".
Ela disse pra eu ler "Beijada por um anjo" primeiro, assim se eu gostasse, ela trazia os 2 seguintes da coleção pra eu ler nas férias. E eu comecei a ler ontem quando estava voltando da usp, no metrô.
Engoli o livro. Terminei ontem mesmo perto da meia-noite. E é apaixonante.
Mas falo um post da trilogia completa qdo eu terminar de ler, pq a história acaba pela metade no primeiro livro.
=)
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