Hoje eu não fui pra usp, precisei dar uma passada no Mackenzie pra levar uns papéis pra Isabela assinar, pois estou mandando meu tgi pra uma revista científica. Faz tempo que eu estou pra mandar e sempre tinha algo pra mudar, pra ajeitar, até que resolvemos mandar nessa última correção.
O fato de eu ter saído de casa mais tarde, umas 10h00 já deu aquela sensação de nostalgia, da época de faculdade. A época em que eu ia de metrô pro Mackenzie todos os dias, era +- esse horário pq eu estudava a tarde, na mesma plataforma, esperar a mesma linha de troleibus...surgiu aquela sensação de quando eu ainda não ia de van, a sensação de conquista por ter ganhado a bolsa, de ter iniciado a faculdade, de ter terminado o ensino médio e enfim estar fazendo algo grandioso...de estar indo pra um lugar que eu desejava tanto ir, a sensação de dever, de dar o meu melhor, de superar tudo: o cansaço, a fome, a distância, os afazeres...
Depois que peguei o troleibus estava com preguiça de subir aquela ladeira da Santa Cecília pra chegar no Mack, então desci na Paulista, assim eu pegava um ônibus que descia direto e parava na frente do Mackenzie e aproveitava pra passear, ver a decoração de natal...e ah! Andar da Paulista, neh?!
A Paulista é um lugar único em São Paulo, assim como o bairro todo do Jardins. São lugares que me fazem bem...não sei pq.
As calçadas largas da avenida, as lojas nem um pouco convencionais, os cafés, os bancos com aquelas portas enormes, os prédios, o teatro Gazeta, o cenário...e com a decoração de natal tudo fica ainda mais bonito. Eu não me lembro de ter prestado tanta atenção numa decoração de natal da Paulista em outros anos, eu sabia que era bonito mas nunca tinha reparado tanto. Esse ano está linda...e o túnel que vai pra Consolação está fechado em ursos gigantes, balas e pirulitos de natal, renas, papai noel, neve artificial. Tem uma loja até com um trem gigante todo vermelho e prata com umas letras enormes, lembra os filmes. E andar por aquela avenida de óculos escuros faz a gente se sentir num filme, tanta gente diferente, de todo jeito que se possa imaginar, aquela visão pro céu apesar dos prédios, o espaço pra sentir a brisa passar e tanta coisa bonita e diferente pra olhar...
Quando eu trabalhava no restaurante eu descia na Paulista todos os dias e então descia sempre pela Haddock Lobo em direção ao Jardins, e foi aí que eu descobri o quanto eu gosto de andar por ali. As árvores tomam conta das ruas, deixando sempre aquele ar mais friozinho, mesmo nos dias de calor. E à medida que vc vai descendo vai vendo aqueles prédios residenciais com varanda, num estilo meio colonial, sei lá, com lojas cada uma em seu estilo, cada uma em seu charme. Me lembro de uma loja de móveis e objetos de decoração antiquados. O nome era "Secrets de familie", acho que era isso, pouco tempo depois mudou para "Sold". O primeiro nome era mais convidativo, pq a fachada da loja era toda retrô, num ar bem antigo mesmo e trepadeiras nas paredes. Na vitrine tinha um cavalinho de criança, daqueles bem antigos, esculpido naquelas formas francesas de época e pintado com tinta fosca...tinha tb candelabros e uma gaiola de pássaros como aquelas dos filmes de décadas passadas e um lampião. Era como se fosse uma lojinha de cenas de filmes antigos. Eu sempre quis entrar nela, mas sempre me contentei em olhar pela vitrine, talvez pq imaginei os preços exorbitantes, talvez pq eu nunca soube se ela estava aberta ou não.
Dentre as outras lojinhas e restaurantes, um restaurante em particular tb me chamava atenção, até hoje tenho vontade de comer lá: Paris 6. Um bistrô francês, no mesmo estilo das ruas de Paris, ele é meio que aberto e dá pra ver tudo lá dentro, tem como se fossem ruinhas de paralelepípedo pelas passarelas e luminárias como os postes dos bairros de Paris que aparecem nos filmes. Muito acolhedor.
E andando pela Paulista, com aquela sensação de liberdade eu parei numa livraria que me chamou a atenção, primeiro pelos artigos eletrônicos, de cara uma tv gigante de led passando um show do Metallica com sofá e tudo pra assistir. Parei e vi um pouco mas segui em direção aos livros, até que vi "Um dia", e já fiquei com ele na mão. Subi as escadas e me senti a pessoa mais completa do mundo ao ver aquelas estantes enormes com livros enfileirados arrumados por sobrenome do autor. Aquela infinidade de cores e letras, de fontes e figuras...como eu quero uma biblioteca só minha, com os meus títulos preferidos, com alguem pra perguntar, com alguém pra dividir as histórias, as sensações...Não deu outra, já apareceu um funcionário com quem troquei a maior idéia e ficamos os dois viajando nos títulos...saí dali com uns 5 títulos na mão: "Um dia", "Um estranho no ninho", "O velho e o mar", "Presente de Princesa" e mais uns dois que o funcionário me indicou...até eu me deparar com uma estante rosa. Rosa pink. Com várias "bíblias" rosa choque e dourado entituladas "Alice's adventures in Wonderland and other stories". Peguei ele na mão e soltei todos os outros. Era o livro mais lindo que eu já vi. É a história original de Lewis Carrol, com ilustrações originais e tudo o mais.
E eu saí da livraria com "Um dia" e "Alice's adventures in Wonderland and other stories". Com o coração mais feliz do mundo e a maior vontade do mundo de montar a minha biblioteca e sabendo que a grande estrela dela seria esse livro da Alice, até eu achar um parecido da Pequena Sereia...rs
Depois quando peguei o bus segui pro Mack pra encontrar com a Isabela e quando desci e dei de cara com aquela entrada do João Calvino, eu vi o café onde os professores costumavam almoçar, o mapa da faculdade talhado num vidro, o edifício João Calvino, onde acontecem as mostras de tgi e onde tem oo banco real. O bloco da farmácia, onde eu adorava beber água, pois o bebedouro sempre estava com o termostato lá em cima, fazendo a água sair quase congelada. Era por ali que eu saía qdo ia pra Maria Antônia pegar o carro. Eu não quis rodar a faculdade, não estava com vontade, mas só de pisar naquele lugar me vieram sensações de épocas antigas, de quando os desejos eram outros, as expectativas eram outras, e andar por ali é quase o mesmo que andar pela ETE agora. Pessoas diferentes, mas o mesmo lugar, o mesmo edifício e por vezes os mesmos funcionários, deixando suas lembranças imortais. Mas na ETE seria mais forte, pq foram mais e melhores lembranças, apesar de menos tempo.
E depois eu subi no prédio dos laboratórios e esperei a Isabela como eu sempre fazia na época do tgi. Sentada na escada, no mesmo degrau, olhando pro relógio e calculando qto tempo ela demoraria pra chegar. E quando ela chegou conversamos bastante, sobre as novidades, sobre o laboratório na usp, afinal de contas ela ficou no mesmo laboratório por 10 anos.
Depois desci pro metrô e fiz diferente. Não fui sentido Santa Cecília, fui sentido República, como algumas vezes eu fazia na época da faculdade pra quebrar a rotina. E por ali deu pra ver um restaurante chinês onde comemos yakissoba algumas vezes, uma sapataria que tinha o mesmo letreiro: Botas de motoqueiro com solado de pneu de avião, e me perdi tanto naquela sensação boa que passei do metrô eu parei num boteco que nunca tinha visto me perguntando onde eu tinha deixado a estação. O atendente virou pra mim e falou: "Ali na frente, moça" e apontou. A estação estava exatamente do outro lado da rua...mas era a estação Anhangabaú...rs. Andei uma estação a mais. E quando eu fui sair do boteco despencou uma chuva que me fez parar. Esperei dentro dele até o farol de pedestres abrir e lá fui eu correndo pra entrar na estação, debaixo de chuva, com meus tesouros envoltos na sacola de plástico...
Depois eu resolvi passar no ABC Plaza, pq eu queria ir na Khelf, comprar umas roupinhas de fim de ano pra mim. Mas eu estava morrendo de fome, tinha saído de casa as 10h e já eram 15h! Resolvi almoçar no Spaghetti Primo, um risoto primo e rever algumas pessoas de lá. Foi tão gostoso chegar e ver tanta gente contente em me ver. Conversei com algumas pessoas, mas grande parte do quadro de funcionários mudou. Mesmo assim, matei a saudade daqueles que me divertiam enquanto eu estava por lá. Todos me perguntavam o que eu estava fazendo, se estava trabalhando e eu dizia que estava estudando pra fazer mestrado. Algumas delas nem sabiam o que era mestrado e toca eu a explicar. E como pessoas tão simples podem me fazer tão bem? Eu sinto falta delas, eu vejo tanta coisa boa ali, são sorrisos, são sonhos, é ter expectativa, mesmo sendo tão humilde. E é assim que eu redescubro que sonhar é a coisa mais simples do mundo, mas que requer sentimento. E sentimento...esse sim brota sei lá de onde. Da fé, da crença...da sensibilidade de cada um. Eu agradeço todos os dias por enxergar e sentir isso, de desejar ser tão simples mas com sentimentos tão puros quanto. Quando eu pedi meu risoto, pedi pra Janaína caprichar, e ela fez um prato gigante, que eu nem consegui comer, e pedi q embrulhasse pra viagem pq era gostoso demais pra jogar fora..rs
Comi meu risoto e fui pra Khelf atrás do meu vestido. E saí de lá com 2 vestidos lindos e uma sapatilha de bailarina mais fofa ainda...tudo dividido em 6x no cartão e com 6% de desconto com o cartão Khelf, pra variar.
E quando eu voltei pra casa, voltei contente. Contente de saber que eu ainda sou capaz de sentir essas pequenas coisinhas que adoçam tanto o meu dia-a-dia. =)
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