Viajantes

quinta-feira, 20 de janeiro de 2011

Querido John

Bem que ela disse que eu ia engolir o livro...Na terça-feira ela me trouxe aqui e eu meio que nao tive tempo de ler...li umas 5 folhas e meu pai ficou desligando e ligando o interruptor, dando uma de eletricista...até que eu resolvi dormir e deixei o livro pra ontem. Pois eu comecei a ler à noite e não parei mais, não consegui. Terminei umas 3 e pouco da manhã e mandei uma msg no cel dela pra contar que eu tinha terminado...mas a msg nao chegou e nem vai chegar tao cedo, provavelmente pq o celular ta sem bateria. E qdo isso aconteceu, meu nego. Adeus, Nayara...sabe-se la qdo ela vai resolver pôr pra carregar...

Mas enfim, eu li li e li e no fim posso resumir como um livro bom. Não foi o melhor livro que li, mas foi ótimo pra eu ler agora. Consegui respostas pra muitas perguntas que no dia mesmo que a Nay veio aqui me trazer o livro indaguei pra ela...Então, também posso dizer que foi construtivo. Mas pelos detalhes, por alguns gestos...pela história em si, do romance, e não dos pormenores no decorrer do livro, achei fraco, bem cara de best-seller americano, mesmo. Posso dizer também que foi um livro especial pq me identifiquei com muitas passagens...chorei em varios trechos e senti de verdade que eu tinha vivido aquilo, de alguma forma. Talvez por isso eu tenha achado o romance fraco, pq eu ja tinha uma opiniao meio que formada, por experiencia própria...

Me identifiquei com a doença do pai de John, e essa descoberta dele tb me fez refletir sobre pessoas conhecidas, sobre como pessoas assim influenciam quem está a sua volta, pessoas que estão ao meu redor. Me fez enxergar a situação de uma forma diferente de como eu há pouco tinha estabelecido pra mim.

Achei puro e lindo o amor de John e Savannah quando se conheceram...os primeiros momentos, mas acima de tudo o modo como ele agia com ela. O jeito como tudo fluía, mesmo ele nunca tendo vivido algo do tipo.

Admirei Savannah cada segundo da história, pela bondade, pela transparência, paciência, pureza, a forma simples como ela enxergava e aceitava as coisas, as pessoas, os lugares, as situações, como tinha o poder de perdoar e ser amável.

Amei Tim pelo seu coração puro também. Ele me lembrou muito um amigo meu. Uma pessoa simples, sábia não por experiência, pelo próprio íntimo, pela forma de enxergar o mundo, sempre sorridente. E o ato de ser prudente e desejar a felicidade de seu amor, acima de tudo, independente, combina perfeitamente com a sua personalidade. Eu penso que tem que ser uma pessoa muito boa, serena e pura pra conseguir sentir isso de verdade.

E no fim das contas, não gostei do romance pq não me mostrou meio que amor de verdade. Mas sim uma história mal resolvida, uma história cortada no meio, pro John. Pra Savannah, não. Isso que eu não achei forte. Na verdade, o fato de John ter continuado no exército, mesmo querendo a mulher da sua vida, incluiu uma dedicação extra à unica coisa que um dia pode ter dado orgulho ao seu pai e algum ego pra ele mesmo, que nunca tinha feito nada na vida. Proteger seus companheiros de guerra, não abandoná-los, era uma honra, afinal de contas o exército mostrou que ele  era alguém e que ele enfim era diferente daqueles garotos com quem ele andava e no fim, via o quanto vazios eram. Savannah por um lado, foi amável todos os momentos do livro, mesmo quando rompeu com ele, pela distância. Ela fez uma escolha. Ela tinha uma vida a viver, seus sonhos, seus planos ou John. Ela escolheu os sonhos dela e não o amor de John, preferiu não esperá-lo, não pq seu amor não era suficiente, mas pq querendo ou não ela aprendeu a conviver sem ele, e era mais apaixonada pelos seus próprios sonhos. Ela conseguiu viver bem sem ele. E continuaria, mesmo depois de tê-lo visto, mesmo tendo uma recaída. Ela não precisou dele, ela tinha outras pessoas, sua família, seu trabalho, seu sonho sendo concretizado. Ele não. Ele não tinha ninguém. Ele tinha o pai longe e apenas seus guerrilheiros, esperando mais um dia, ansiando por voltar vivo pro quartel ou pelo dia em que a veria novamente, por isso ele assumiu que a amava todos os dias de sua vida.

Ela ter tido uma recaída me mostrou fraqueza. Muita fraqueza, afinal de contas, temos nossas escolhas. E ela escolheu o que era melhor pra ela. Na verdade, até me pareceu um pouco de arrependimento. Porque se ela tivesse esperado John, a vida dela talvez não fosse tão difícil, com um marido no hospital, um rancho pra cuidar sozinha e um cunhado doente que talvez não resistisse à perda do irmão. Talvez não foi a vida que ela imaginou pra ela, no fim das contas. Por mais que amasse o marido e o cunhado. E amava mesmo, afinal de contas eram pessoas que a acompanhavam desde criança, inclusive nos sonhos. Mas um amor fraternal. Não um amor de homem e mulher.

De qualquer forma Savannah estaria envolvida com John e Alan pra sempre, mesmo que estivesse casada com John, pois sempre foram quase irmãos. E eles estariam juntos até o fim mesmo.

E então quando eu terminei eu me perguntei quantas formas de amor existem. Como cada um encara cada uma delas e afinal...qual é a melhor? Qual é a certa? Qual é a que gente espera?
Acho que cada um tem sua própria resposta. Cada um quer uma coisa pra si. Faz parte da gente.
Eu descobri a minha resposta. Não só pelo livro, mas por tudo que já vivi. Foi pouco, mas o suficiente pra eu conseguir ter pelo menos uma opinião e um desejo pra mim mesmo, pra saber o que eu quero, o que espero e o que eu não quero também. Tudo isso faz parte. E cada novo dia, cada nova experiência vai nos mostrando o que somos capazes de suportar por um amor, até onde podemos ir, o que conseguimos compreender ou superar, passar por cima, o que colocar em primeiro lugar. Ainda estou aprendendo. Mas  sou do time de Mario Quintana, quando escreveu que "Pra ser feliz com outra pessoa, vc precisa, em primeiro lugar, não precisar dela..."
É amar por amar, pura e simplesmente por amar, sem motivo aparente, e é enxergar-se como pessoa também, é se respeitar, é respeitar os próprios limites. E não precisar da pessoa nos dá a liberdade e a escolha de perceber até onde podemos ir POR AMOR. Pura e simplesmente por amor.

Um comentário:

  1. Realmente, o livro não é genial. É bom.

    Eu não sou do time das romanticas de plantão, não mato e nem morro por meus amores. Sei lá, parece que já nasci preparada pra guerra. Pra saber, que tenho que me aguentar até o fim e que portanto, é bom eu tratar de ser feliz, com algum amor ou sem.


    Mas, por outro lado, eu sempre vou esperar os finais felizes, não me venha com finais alternativos, com soluções que não sejam o feliz para sempre. Eu não admito escolhas que não sejam em nome do amor (aquele bom e velho amor dos principes e princesas que agente cresce conhecendo).

    Na vida real, é exatamente isso que acontece. São varios e infinitos tipos de amor, nem menores, nem maiores, nem melhores e nem piores.
    Basta, você saber o que você quer...
    A savanah sabia o que ela queria, doesse a quem doesse. Nossa felicidade é responsábilidade nossa, inteiramente nossa.

    Embora ele tenha escolhido, embora ele tenha aprendido uma outra forma de amar. O meu coração egoista achou injusto com o john.
    Só aceitei o final, porque ele disse que aprendeu o que era amor de verdade.


    Phoda, eu não sei se teria a mesma coragem.


    Ps, tenho um outro livro desses de amor, não é best seller. É do Gabriel Garcia Marquez...
    Phoda, também... Chama: Amor nos tempos do Colera.
    Ah, história é diferente.

    Mas, fica pra outra ocasião...
    Tem que ir alternando os titulos pra não saturar.

    Beijo.

    Me avisa (por email, porque estou sem celular, por tempo indeterminado kkkk) que levo outro.

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