Viajantes

quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Psycho - Alfred Hitchcock - 1960

Nem precisa dizer que é um clássico dos clássicos. Em preto e branco, com som normal. McGuffin com o roubo de 40.000,00 dólares de uma secretária que queria se casar. Com o enredo ela vai parar num motel num estrada meio tenebrosa, com um atendente mais tenebroso ainda. Na verdade ele era psicótico e matava todo mundo que parava lá. E ele só matava quando estivesse vestido com as roupas e uma peruca, da mãe dele.

Me lembro de uma vez, estava voltando do Clube com a Simone e ela estava me contando de um paciente dela. Na consulta o paciente mudava de humor cada vez que ela abordava assuntos que envolviam a mãe dele. Até o dia que ele puxou uma faca pra ela no consultório. Imagina?
Com muito jeito ela contornou a situação. Mas o cara ficava mesmo muito tenso quando se falava  da mãe dele e ela até brincou enquanto me contava, comparando a mãe do rapaz com a mãe do atendente de motel do filme. Eu nunca tinha visto Psicose, e ela me falou que a mãe era chave principal pro desenvolvimento dos desequilíbrios mentais, tanto no filme, quanto no quadro do paciente dela.

Muitas vezes eu me pego pensando na relação mãe e filho. Não só na minha relação com a minha mãe, mas tb das dos meus amigos, das pessoas à minha volta. Fico imaginando o que passa na cabeça de cada um, o que eles pensam, como encaram cada coisa...o porquê das atitudes, das opiniões, dos bloqueios, anseios e complexos.

Minha mãe sempre foi muito zelosa comigo, principalmente quando eu era pequena. Ela brincava comigo de casinha, de Barbie, de pular corda com as amiguinhas na rua. Acho que ela sempre quis estar atenta a tudo que acontecia comigo. Quando eu entrei na adolescência a gente brigava muito. Hoje eu vejo que ela quis me ensinar muita coisa, ela quis conversar sobre muita coisa e eu não colaborei muito. Mas foi uma fase essencial, fez parte de um crescimento meu e dela. A gente aprendeu junto a respeitar-nos, não daquele jeito que é o comum, aquela coisa de crescer já com a visão de mãe e obrigação de respeito. Um respeito diferente. Ela aprendeu a me escutar, a me dar o meu espaço, a respeitar minhas escolhas e a confiar nas minhas decisões. Foi uma batalha grande, sofrida, fiz coisas que prefiro não lembrar e tb ouvi coisas que preferiria não ter escutado. Mas hoje eu sei que conquistei meu espaço e conquistei uma amiga. Ela me fez preparada pro mundo.

Essa é uma de minhas maiores conquistas.

Um comentário:

  1. Outro dia desses uma amiga casou. E eu fiquei pensando como seria pra mãe dela depois de quase 30 anos ver as filhas assim todas casadas. Como será ter o ninho vazio depois de tanto cuidado e zelo?

    Sua mãe te fez preparada para o mundo.
    Mas, será que ela mesma se preparou para o mundo sem você?

    Na teoria pode até ser que as mães NÃO cuidem dos filhos para elas.

    Como diria a tamy:

    'Tudo teoria minha gente, tudo teoria.'

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