Muitas vezes pessoas, de diversos graus de proximidade comigo me disseram uma coisa em comum.
Me disseram que eu era diferente.
Eu já ouvi isso de ex-namorado, de colega, de professor, de chefe, em desculpa de xaveco furado e até da minha tia. E eu nunca parei pra pensar pq que eles me achavam diferente.
Um velho amigo e uma velha amiga também me disseram isso. E mesmo assim, eu não liguei. Não que eu não acreditasse, mas eu já tinha ouvido isso tantas vezes, que já era normal ouvir. E eu nunca parei pra prestar atenção nisso. Afinal, oq eu tinha de tão diferente?Ou o que eu tenho de tão diferente?
Na verdade, outro dia eu cheguei a uma conclusão sozinha. Até dividi ela com alguém. Eu disse que eu não dava tanta importância pra algumas coisas na vida pq pra mim era normal tê-las. Coisas assim, tipo, buscar saber o que se passa dentro de si mesmo, saber bem quais são os seus reais valores e o impacto que isso traz na vida da gente, saber a importância e a profundeza de um olhar, do tom de voz, da maneira que a gente encaras as coisas, que fala ao telefone, que escreve, que lida com situações de desespero e alegria.
E realmente isso pra mim sempre foi tão normal que eu nunca tinha reparado que nem todas as pessoas são assim. Aliás, pouquíssimas pessoas são assim.
Hoje uma colega de classe da faculdade me mandou um torpedo perguntando sobre o resumo do congresso que vai ter em Fortaleza. Ela queria saber se eu sabia até quando ela podia mandar e se o resumo do TCC servia. Eu expliquei pra ela como funcionava, falei do site e depois até mandei um email com o link do site, o meu resumo pra ela ver como ficou e explicando tudo direitinho. Eu sempre ajudei ela na facul. A estudar pras provas, quando dava pra passar cola eu passava, e no fim, revisei o TCC dela inteirinho, pq a orientadora dela tinha tomado chá de sumiço. Fora isso a gente sempre andava junto na facul. A gente fazia tudo junto, desde assistir às aulas, combinar de faltar, assinar a lista de presença quando tinha, passar o TIA nas palestras pra ganhar certificado, ver a nota das provas, tomar cerveja no bar, chorar pelos namorados, contar as coisas que aconteciam.
Eu sempre me perguntei pq é que apesar de ter ela e mais 2 pra fazer tudo junto, eu senti que eu não tinha feito amigos na faculdade. Foi bem difícil eu me entrosar, e no começo da facul sofri por isso. Todo mundo ia fazer alguma coisa diferente no fim de semana, eu preferia bolar alguma coisa com o meu namorado, nem que fosse ficar o dia todo em casa. Enquanto muitas se juntavam pra contar como tinha sido o bar de sexta passada eu preferia escutar a professora e anotar todos os detalhes importantes no meu caderno. Eu me lembro que no começo eu não podia ir pro bar pq eu fazia técnico à noite. Eu saía da facul e ia correndo pro técnico pra terminar ele logo. Isso foi no primeiro semestre.
Depois eu comecei a ir pro bar, eu sempre gostei de tomar uma cerveja e jogar uma conversa fora. Papo besta, dar risada, relembrar coisas gostosas, pensar em algo, falar sobre filmes e livros, sei lá. Todas as vezes que eu fui pro bar com as meninas da faculdade foi bom. Foi gostoso. Mas foi como se faltasse uma coisinha. Eu era um peixe fora d'água. E querendo ou não, não tínhamos tantos assuntos em comum, a não ser homens.
Eu juro que me esforcei e no último ano de facul eu tive certeza disso. Eu era um peixe fora d'água mesmo.
Hoje eu tive plena certeza disso. Mais do que isso, eu percebi que posição eu ocupei pra eles nesse tempo que passamos durante a faculdade. No terceiro e no quarto anos, com a formação da comissão de formatura, uma das minhas colegas fazia parte dela e ela não parou de me encher o saco pra eu fazer e participar da festa. Eu queria fazer, ma$ foi algo muito maior do que eu podia. Não tinha como. Eu achava que ela queria que eu participasse. Depois eu reparei que ela fazia a mesma coisa com todo mundo da sala, pq ela era da comissão. Eu não fechei o baile, e elas sempre diziam pra eu participar da festa como convidada, pra estar junto com elas. Até agora, mesmo em conversas bestas, por torpedo ou por facebook, ninguem perguntou se eu ia, se eu queria comprar convite, se eu nao queria ir, e aliás, eu mal sei em qual data a festa vai ser.
E tudo isso pq esse tempo todo eu fui pra elas alguém que sempre esteve pra ajudar, mas nunca esteve de verdade quando o assunto era "curtir". Eu nunca queria saber das fofocas, dos siricuticos, e todo o nhenhenhen que eu nunca dei importância. O peixe fora d'água.
E foi a partir daí que eu comecei a perceber que nem todo mundo vivia no mundo em que eu vivo. De dar importância pras pequenas coisas, de saber distinguir o tal olhar, o tal tom de voz. Muita gente não é capaz de enxergar esse tipo de coisa. E nem dá importância pra esse tipo de vida.
Hoje mais do que nunca enxergo pessoas assim ao meu redor. Hoje eu vejo como eu sou diferente e que por conviver com isso achei que todos fossem como eu. Mas não são. O que é bom, pq eu aprendi a enxergar o valor que cada pessoa tem na minha vida. Desde aqueles que passaram e não voltaram mais, àqueles que insistem em ficar, àqueles que nunca vão sair, nem se quiserem.
Se ser diferente é bom ou ruim, eu não sei. Tampouco me importa. Mas eu sei que eu sou. Sou mesmo e isso é a marca da minha personalidade. Pelo menos tenho certeza que tenho uma. Tenho certeza dos meus valores. Tenho plena certeza da minha teoria sempre de pé, levantada desde os tempos das aulas com o Prof. Paulo, no Mackenzie, da moral.
O engraçado é pensar que coisas assim, tão banais para mim podem ser totalmente exóticas pros outros de fora.
E eu sou feliz assim. Sou feliz por ter os olhos abertos pro mundo, pra realidade. Em saber e querer me conhecer, me entender, e não me esconder atrás uma máscara, não esconder que posso pecar e errar, reconhecer minhas loucuras, meus declínios, minhas doenças psicológicas, meus medos, sem me importar do que os outros vçao achar. Pq é sendo assim que eu sou feliz. Essa sou eu.
Nenhum comentário:
Postar um comentário