É engraçado quando a gente assiste a filmes sem nenhuma expectativa externa.
Quando alguém te conta algo sobre o filme ou recomenda ele, vc cria uma expectativa em cima dele, boa ou ruim, por mais neutro que vc tente ser vc fica prestando mais atenção a alguma cenas, fica buscando o que a pessoa achou de bom ou de ruim, enfim..caçando, mesmo sem perceber.
Quando a gente escolhe o filme e simplesmente vê, sem interferência de ninguém vc penetra pra dentro dele mais facilmente, tira suas próprias conclusões, descobre sozinha os porquês de cada personagem e ao seu tempo.
Confesso que demorei muito pra descobrir o que realmente se passava dentro desse filme. E hoje, eu procurei sinopses e fóruns de discussão pra ver se eu conseguia encontrar respostas pras minhas perguntas. E não, eu não encontrei. Pq o objetivo do diretor foi esse mesmo. Deixar muita coisa em aberto. Pra gente se questionar pro sentido da nossa existência, da nossa morte, do nosso adiamento para a morte.
O filme passa boa parte contando a história de jovens que viviam num internato inglês, onde haviam regras excessivas, era de se observar, e onde os alunos cresciam sabendo que eles eram especiais. E eu me perguntava...especiais por quê? De que forma?
Até uma cena em que uma professora conta aos alunos que eles não estavam sendo ensinados e criados para terem grandes profissões, nem alimentar seus sonhos, pq eles estavam sendo criados para serem doadores de órgãos. E eles sabem, e eles fazem disso a vida deles.
Com o decorrer do filme a gente vê que a vida deles é essa..com uma expectativa de vida por volta de 30 anos, procurando o seu "original" que eu não entendi exatamente o que era, mas entendi que seria a pessoa para quem eles doariam os órgãos.
Depois, quando fui procurar, li a teoria de que eles seriam clones. O que é aceitável. Mas não deixa a história com menos indagações. Como de onde eles vieram, como esses clones foram feitos, pq eles não conheciam seus originais e tinham que ir procurar deles, pq não era uma coisa tão controlada e organizada, e o pior: pq todos eles tinha que doar. Pq pensa bem...nem todo mundo precisa de uma doação de órgão, e nem é todo transplante que é feito, que existe cirurgia. E se a pessoa precisasse de uma doação, ia precisar de qtas outras pro seu clone morrer? Pq todos eles faziam mais de 3 doações. Mew, quem precisa de mais de 3 transplantes? Tipo é muito estranho. Por mais que vc troque os órgãos do seu corpo vc não troca todas as suas artérias, veias..não consegue transplantar o corpo todo. Mas é aí que entra a coisa, é como se fosse a cura para todas as doenças.
Mas enfim...o filme todo mostra a ingenuidade deles, a visão limitada pela criação e educação restrita, o sentimento deles em relação a isso, e o medo da morte, mesmo que mais certa pra eles do que pra gente.
E até onde iríamos para adiar a nossa morte? O que faríamos para isso? E pra quê faríamos?
Qual o sentido de estarmos aqui e simplesmente sermos mortais...e de repente conseguirmos adiar a nossa morte, pela vida de outra pessoa. Mesmo que ela seja um clone. Mesmo que elas tivessem sido criadas pra isso, educadas pra isso e esperassem por isso a sua "pequena" vida inteira...
Ah! Tem o livro..nem precisa falar que eu quero ler, neh?!
Preciso fazer uma lista dos livros que eu quero ler...que nem eu tô guardando mais..
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