Esses dias eu estava no tróleibus e não sei pq cargas d´água eu me lembrei do porão que tinha na casa da minha vó, onde eu morei dos 8 aos 18 anos.
Hoje qdo eu e o Chu estávamos no Parque da Indepência, vimos umas portinhas e portões que davam pra lugar nenhum ou pra saletas debaixo do barranco, ou sei lá pra onde...E eu comentei com ele do porão, então lembrei que eu queria postar aqui.
Eis que eu me lembro do tal do porão. Eu me lembro dele desde sempre, desde que existo por gente, pq mesmo antes de eu morar lá, ia visitar minha vó. Antes de eu mudar pra lá, meu vô guardava coisas inutilizadas lá, eu me lembro de umas máquinas estranhas que eu nunca soubre pra que serviam, coisas antigas que foram dos meus tios e da minha mãe e eles guardavam lá sei lá pra que, ao invés de jogar fora. Dentre essas coisas tinham jogos antigos, tabuleiros de xadrez e damas, cadernos e livros. Era muito engraçado ver essas coisas, uma pq eu já nem gosto de coisas retrô, neh?! e segundo pq sempre tinham anotações daquelas de adolescente e dava pra ver pelo estilo de casa um:
A minha tia escrevia versinhos, letras de música do Raul Seixas, corações e vários "Joelma e Formiga", namorado dela na época e primeiro marido, inclusive...Desenhos de carinhas, piadas do estilo: se casar fosse bom blablablabla...rs
O meu tio tb escrevia letras de música do Raul Seixas e as coisas dele eram sempre cheias de declarações da Sandra, minha tia, que namorou ele desde sempre...rs
As coisas da minha mãe, não eram rasbicadas, tinham apenas alguns recadinhos de amigas, uma assinatura ou outra...
Numa das paredes do porão era pixado bem gigante em letras tortas de forma e em preto: "Enio" e "Joelma" e um smile..rs. Em outra parede tinha pixado um coração com carinha e antenas...com um "Enio e Sandra"...ahuauauahau. Meu vô deve ter querido morrer qdo eles fizeram aquilo...rs
Eis que tb existia um moedor de café. Meu vô gostava de comprar café em grão e moer ele lá pra fazer café fresquinho. Pena que eu não gosto de café, pq devia ser bem gostoso. Me lembro de um dia que eu botei areia no moedor pra brincar...rs. Imagina o drama.
Dentre esse monte de coisa tb tinha uma escada. Antes de a casa ser construída em cima do porão, eles moravam lá em baixo, então a escada existia pra subir e chegar até o portão, que dava na rua. Quando construíram a casa em cima, tamparam a escada, mas sobrou um pedaço lá em baixo, que eles não quebraram e então, ficou uma escada que dava pro nada, pra uma parede. E eu achava que aquilo não era possível, tinha que dar pra algum lugar. E eu ficava imaginando se existia uma passagem secreta ali.
Atrás da escada tinha uma saleta, sem porta nem nada, que ficava no fundo do porão e eu não sei pq, mas sempre encasquetei que ali tb tinha uma passagem secreta...
Tinha uma cabeceira de cama antiga guardada lá, daquelas que são tipo baú e abrem pra guardar travesseiro, cobertor...eu tb imaginava que eu poderia abrir e lá dentro estaria os meus maiores desejos. Na época os maiores desejos eram: Barbie, Barbie, Barbie, carro da Barbie, roupas da Barbie, tudo da Barbie...rs
E eu sempre gostava de brincar no porão imaginando coisas...as passagens secretas, os brinquedos...
Depois, qdo a gente mudou pra lá, meu pai encheu ele de tranquera (mais tranquera), mas tranquera que não dava pra brincar...peças de carro, latarias, enfim...E eu cresci. E sinto saudade do porão...ou da época do porão...rs
Eu queria pelo menos poder rever aqueles cadernos e livros.
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