Eu percebi que toda vez que alguém falava "Que venha 2012" eu pensava e até falava "Que venha mesmo e que venha logo pq 2011 foi osso" e algumas pessoas até comentaram que muita gente falou isso.
Não é que 2011 tenha sido um ano ruim pra mim. Mas foi o tipo de ano que vc aprende bastante batendo a cabeça. Foi isso, eu bati a cabeça o ano inteiro.
Desde a minha colação de grau até então foi o tal sofrimento pra arrumar emprego, e arrumei. Depois foi o tal sofrimento por se convencer de que estava na área errada. 2 vezes. Fiquei muito sem grana, aturei mal humor de chefe, trabalhei 12 horas seguidas sei lá quantos dias, me convenci de que tinha algo melhor a se fazer e lá fui. Fiquei sem grana de novo. Conheci novas pessoas, me adaptei a novas rotinas, sofri muito com metrô e troleibus lotado, andei até não aguentar mais. Cheguei em casa tarde de tanto trabalhar, estudei que nem uma louca e passei pela maior decepção da minha vida. Daquelas de chorar até soluçar, até doer o peito, até não ter mais lágrimas, de ficar tão arrasada a ponto de não querer ver ninguém e se afundar no sorvete, é claro.
Mas eu aprendi bastante com tudo isso e aqui tá registrado tudinho. É bom poder escrever e poder ler depois de um tempo, poder relembrar o que a gente sentiu, principalmente pq quando passa o tempo e a nossa visão muda, as coisas parecem distorcidas quando a gente se lembra ou então a gente enxerga mais claramente. Não só profissionalmente falando, mas também passei por uma crise pessoal muito grande com tudo isso que aconteceu. Crise existencial? Não sei, mas um certo sentimento de culpa e inutilidade. E que meus objetivos estivessem escapando por entre meus próprios dedos. E problemas no namoro, reavaliação de amizades.
E mesmo com tudo isso eu também fui muito feliz. Fiz muita coisa boa, coisas que eu gosto, que me fazem bem. Fui a vários shows, li muitos livros, assisti todos os filmes que eu quis ver, sozinha ou acompanhada, aliás passei tantas noites fazendo isso...2, 3, 4 filmes por dia... 1, 2, 3 livros por semana. Fui centenas de vezes em restaurantes japoneses matar a minha lombriga, com o chu, com nossos amigos, com o pessoal do laboratório. Não viajei o quanto gostaria de ter viajado, mas fui pra chácara, fiz uma ótima viagem com a minha mãe pra Fortaleza e conheci praias lindas, fui a restaurantes super legais, alugamos carro e saímos por aí, fui pra praia com o meu bocó, poucos dias, pousada barata mas mto gostoso. Fizemos várias daquelas baladinhas em pubs que gostamos bem pouco, ouvi muita música boa, de mpb ao bom e velho rock'n'roll. Assisti a ensaios da banda do Chu, que no fim acabou mais cedo do que imaginávamos, e da psudo-banda do Binho. Vi a barriga da Dani crescer com o João lá dentro e a casa do Gepa e da Tha ser toda montada. Fui convidada pra ser madrinha de casamento, não me senti preparada e depois me senti honrada, fui testemunha de casamento civil. Briguei muito com o Chu, me decepcionei e me apaixonei de novo incontáveis vezes. Conheci pessoas daquelas que a gente leva pra sempre, como a Marcela e a Martina. Fiz muito cupcake, trufa e ovo de páscoa... Engordei sei lá quantos quilos e comecei a perdê-los agora no fim do ano. Cortei o cabelo, me desapeguei de muitas neuras e complexos antigos e me tornei uma nova mulher. Parei de roer unhas e descobri a minha paixão por esmaltes. Ganhei flores e livros do Chu, e um calendário lindo do Pequeno Príncipe, daqueles que dá pra fazer anotações diariamente e com frases e ilustrações para cada mês. Escrevi bastante, mas não tanto quanto gostaria. Aprendi a segurar um pouco minha ansiedade, a esperar a hora certa pra tudo. Tive o pior pesadelo de todos os tempos e reaprendi a rezar, a encontrar minha própria fé, acreditar nos anjos, nas minhas preces, na presença de algo muito superior a tudo isso que temos por aqui.
E eu só espero econtrar mais equilíbrio em 2012. Equilíbrio pras coisas acontecerem ao seu próprio tempo, ao destino, às mãos de Deus. Pelo propósito que tudo certamente tem.
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