Viajantes

quarta-feira, 2 de março de 2011

Amor desesperado.

No aniversário da Carol, no fim de janeiro, a Na levou pra mim no Pimenta dois livros pra eu ler:
- O Clube do Filme
- Comer, Rezar, Amar

Eu já estava com vontade de ler O Clube do Filme há um tempão, quando eu vi a lista de lançamentos da Super Interessante. Desde então, ensaio pra comprar, sempre tem algo mais importante..até quando eu descobri que a Na tinha ele. Então quando ela me emprestou eu engoli ele. Devo ter lido em um ou dois dias, estourando. E embarquei na onda de ver filmes e mais filmes. Aliás, ainda estou nessa vibe. Mas depois de ver o filme da Bruna Surfistinha hoje e achar deplorável, resolvi ler um pouco. Já fazia tempo...

Comecei a ler Comer, Rezar, Amar... na 26* página tive uma surpresa. É o terceiro livro da Na que eu leio. E em nenhum dos primeiros eu vi linhas sublinhadas ou comentários (coisas que costumo fazer nos meus livros). E de repente vejo um sublinhado a lápis discretinho. A parte sublinhada tem mto a ver comigo. Muito a ver com uma coisa que eu passei há não muito tempo atrás. E como qualquer coisa esquisita e mal resolvida na minha vida, eu sempre paro pra pensar como coisas estranhas acontecem com a gente. Como de supetão algumas coisas vêm e vão. Eu fico pensando pq vieram, pq se foram, o que deixaram. Na maioria das vezes, quando não entendo muito bem, procuro prestar atenção no sentimento que ela me deixou. Se isso me faz bem ou mal, o que posso aproveitar, o que devo trabalhar e resolver internamente. Assim, vou me conhecendo melhor e aprendendo a enxergar o passado com outros olhos. Com os olhos de alguem onipotente, no presente.

A parte grifada diz assim:

"No amor desesperado, nós sempre inventamos os personagens dos nossos parceiros, exigindo que eles sejam o que precisamos que sejam, e depois ficando arrasados quando eles se recusam a desempenhar o papel que nós mesmas criamos."

Se o livro fosse meu, na certa eu teria grifado tb. E talvez tivesse feito um comentário enorme.
Amor desesperado. Qualquer sigificado que isso tenha, pra mim tem significado literal. E um grande valor. Uma vez que passei por isso. Tal como o desespero, tira as nossas forças com tamanha felicidade, faz-nos sentir nas alturas, de uma forma jamais vista. Posso dizer que quase morri de ansiedade, perdi a fome, olhava pro celular sem parar, não conseguia fazer nada direito, nada mesmo, nem ao menos pensar...e logo em seguida, chorei como nunca havia chorado, pelo maior período de tempo senti um amargo no coração, parecia que ele tinha sido apunhalado 500 vezes ou mais, não conseguia fazer nada de novo, mas por não ver mais alegria nas coisas ao meu redor...por ter na cabeça que nada mais teria o mesmo brilho...
Quanto desespero, hãn?!

Como diz uma linda canção que eu costumo ouvir: "Invernos, impérios, mistérios...Lembranças, cobranças, vinganças...Assim como a dor que fere o peito...Isso vai passar também."


O nome dessa canção é Tempo. O tempo é uma coisa foda. O tempo é capaz de fazer tudo. E foi o tempo que me trouxe a calma pra poder pensar direito nas coisas e exergar um "amor desesperado".
Um amor desesperado surge na tentativa de suprir todas e quaisquer necessidades de uma coisa que foi tirada de vc, ou que vc excluiu da sua vida por escolha própria ou não. No meu caso, por escolha própria.


É engraçado. Eu gosto de relembrar o que eu já senti. Relembrar e pôr na balança tudo o que já foi dito e feito, sentido e não sentido, o que é verdade e o que não é, o que a gente mascara e o que escancara, os medos que foram embora e outros que permanecem. Eu não tenho receio nenhum de relembrar meu ex-namorados, antigas paixões, aliás, fazer isso é como um exercício. Sei lá. Todas às vezes que me lembro de tudo o que passei com outros caras, me faz pensar em como eu realmente quero o Gabi.
Dentre os altos e baixos das relações que tive, das perfeições, imperfeições, paixão avassaladora, paixão cruel e cega, não consigo reunir os melhores no nosso. Não temos uma relação perfeita, acredito que não exista nenhuma relação perfeita. Mas é a que me aconchega, é a que me faz sentir paz ao observar seu rosto ou pegar sua mão. É algo inédito pra mim. Inédito que eu digo, até de se ver por aí. Sei lá, não dá pra descrever. 

Eu consigo enxergar cada defeito dele, alguns irritantes diga-se de passagem, mas eu aprendo a conviver com eles a cada dia. Eu consigo enxergar coisas que eu gostaria de mudar na nossa relação, e penso em estratégias para trabalhá-las. Eu consigo enxergar nossos pontos fracos, nossas falhas, nossas esquisitices, e penso nelas a todo instante pra conhecê-las a fundo e entender pq isso acontece. E nada disso faz eu voltar atrás. Nada disso me faz desistir, me mostra que é possível ser feliz assim. É possível ceder e ensinar o outro a ceder, mesmo que com muito custo. É possível entender, mesmo que com muito custo tb, e compreender costumes e posturas nada convencionais e cômodas pra mim.
E acho que o mais difícil é aprender a conviver com atitudes que pra mim ainda fogem do meu ver ético.


Mas no fim de tudo, o que eu quero dizer, é que pra viver o meu amor pleno, pra minha pessoa foi necessário passar por outros tipos de amor. Tipo como uma balancinha, pra poder aprender o que a gente realmente quer como amor. O primeiro amor, o amor cego de contos de fada, o amor de amigo, o amor compreensivo e nada possessivo e ciumento, o amor desesperado e o "amor, sublime amor"...

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