Viajantes

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Regresso

Eu estava montando um seminário, sem poder me distrair e não sei o que me levou a ir lá no blog dela dar uma xeretada. Vai fazer quase 2 meses que eu não posto aqui e que ela também não postava lá. E eu sempre tinha alguma coisinha pra escrever mas no final das contas quando eu sentava na frente do computador a insipiração ia embora e tudo o que vinha passando pela minha cabeça não parecia tão "textual" assim.

Eis que eu pego lá um certo medo de voltar pra cá, pra rotina, pro automático do "fazer faculdade, arranjar um bom emprego, casar, dar uma puta festa, fazer pós" e assim por diante de coisas que nós, às vezes, nem precisamos.

Outro dia, faz um tempo já, dormi na casa da Carol e enquanto preparávamos o almoço no domingo, ou lanchinho da tarde, não me lembro ao certo, começamos a falar sobre isso, sobre como as pessoas são mecânicas fazendo coisas que no final das contas ela não precisa, mas faz parte do tal "ser bem visto". E vc, minha cara, definitivamente não se enquadra nesse perfil. Graças ao meu bom Deus estou cercada de pouquíssimos, porém grandes amigos que não têm esse perfil.

Talvez esse seu medo esteja relacionado não ao que vc realmente quer, ao seu sonho, mas e o que os outros vão pensar? Muitas vezes o que a gente quer ser não é o que o que as outras pessoas  querem que nós sejamos. E aí? É fácil demais falar que não se importa, mas e na prática? E a nossa família? Os nossos amigos?

Eu estou muito feliz com o que eu faço. E vivendo em São Paulo, é sim, o que eu quero fazer. Pq de verdade? Trabalhar a gente tem que trabalhar mesmo pra sobreviver, seja um puta dum trampo ou não, o que importa é se a gente vai conseguir viver como quer, seja numa mansão ou num barraco perto da praia, tendo o que a gente precisa em volta, grandes amigos, vida de luxo, baladas, jantares em casa, viajar pra Itanhaém, passar as férias em Nova Iorque. Eu sou feliz aqui, e não me imagino morando pra sempre em outro lugar. Visitando, morando a longo prazo, mas não pra sempre...Ser cozinheira aqui ou ser cozinheira nos EUA, qual a diferença? Se vc vive do jeito que vc gostaria de viver...

Quando eu entrei no laboratório eu fui de encontro ao que eu chamo de qualidade de vida. Claro que tem dias que eu fico até as 22h. Tem dias que eu trabalho em casa até de madrugada. Tem dias que eu quase morro de ansiedade preparando uma aula e antes de apresentar. Tem dias que eu quero chorar e que eu acho que nada vai dar certo, que eu sou burra e me pergunto o que eu to fazendo no meio de tanta gente boa no que faz. Mas a vida é isso mesmo, pra ser feliz e perceber o que temos de bom perto da gente é preciso passar por esses pequenos momentos, nem que seja pra voltar atrás 1 minuto depois.

Eu sou realizada no trabalho, em poder brincar de cientista na bancada, lembrando os tempos de "O mundo de Beackman", aprender mil coisas por dia, topar com pessoas brilhantes e me perguntar de onde vem tanta esperteza, poder passear pela usp no meio da tarde com o solzinho no coco, andando pela grama e vendo tantas florzinhas bonitas, poder olhar pros meus colegas e se der a louca ir jogar boliche em plena quarta-feira a tarde comendo sushi, ir na livraria depois do almoço e ficar olhando aquele monte de livros e sonhando cada dia mais em ter sua própria biblioteca, ter que almoçar no bandejão pra ter mais grana no final do mês, dividir a pizza excluindo os colegas que estão sem bolsa pra dar um apoio, ajudar em projetos que eu não tenho nada a ver só pra participar como equipe, levar um bichinho de pelúcia e pôr um jaleco nele pra te ajudar a trabalhar, pipetar ouvindo música quando a chefe já foi embora, enfrentar 1h e poko de transito todos os dias...eu gosto de viver assim.

Minha vida deu uma estacionada de certa forma, pretendo dar continuidade agora, que minha bolsa aumentou...mas ela parou, nada de carro, nada de casa, nada do mínimo de independência.

E eu sempre me deparo com gente me falando: "mas vc só estuda?", ou então "mas vc não trabalha?". Quer dizer, ainda tá difícil pras pessoas aceitarem que eu não "trabalho". Eu não tenho carteira assinada, não tenho vínculo empregatício, mas eu trabalho, sim, muito obrigada. E ao contrário da sociedade defensora da carteira assinada, eu sou muito feliz, muito obrigada, de novo. E não acho que quase 1 ano ganhando 500,00 reais por mês me fez menos feliz, pelo contrário, me trouxe as maiores experiências, desejos, metas, sonhos, aprendizado que muita gente por aí tem. E o melhor, que eu adoro dizer por aí: qualidade de vida.

Eu tb não sei o que eu quero da vida, como vou querer viver daqui há 3 anos...daqui há 5 anos. Tenho meus planos, minhas metas, vontades, mas tudo muda né?! O que eu queria que vc entendesse, minha cara, é que vc tem que fazer aqui o que o seu coraçãozinho mandar, buscar o caminho do que é qualidade de vida pra vc. É muito fácil falar que qualidade de vida pra vc é morar aí no Canadá estudando inglês, mas infelizmente nós não temos berço de ouro e é preciso encontrar o caminho de fazer "sozinha", pelas próprias pernas o que faz bem pra gente. O que te fez bem por aí? Decidir passear do nada com os amigos? Encontrar novos lugares? Conhecer gente nova? Pois vamos fazer isso por aqui tb. Se for preciso, criar uma lista de coisas a fazer até o fim do ano.

Eu sei que é diferente, mas acredite, voltar pra sua terrinha, não será o fim do mundo, mais difícil é desapegar dessa experiência totalmente diferente de tudo oq vc já viveu. Mas ainda tem muito mais o que viver...aqui, em outros lugares...é só vc compor a sua própria música. E eu te ajudo a escrever a letra, ok?! Sempre estive por aqui e não vai ser agora que vai falhar ;)



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